Pode ser um sonho, mas a própria natureza mostra que é possível, pois já existe no Brasil o cultivo comercial de macroalgas da espécie Kappaphycus alvarezii. Essas macroalgas são os seres fotossintetizantes mais eficientes do planeta. É pelo processo de fotossíntese que os vegetais conseguem gerar matéria orgânica, que também pode ser definida como biomassa.
Da biomassa fresca de Kappaphycus alvarezii, quando processada numa biorrefinaria, pode ser extraída uma gama de subprodutos. Dela, nada se perde.
Dentre os subprodutos estão as matérias primas que suprem às indústrias de alimentos, cosméticos, medicamentos, fertilizantes e rações animais. Se tais industrias passarem a dispor de matéria prima de menor preço, certamente, haverá vantagens tanto para as empresas quanto para os consumidores.
Mas, há ainda a possibilidade da biomassa fresca de Kappaphycus alvarezi ser consumida in natura, pois trata-se de um produto, genuinamente, orgânico, contendo fibras, vitaminas, aminoácidos e o grande expectoro de sais minerais. Dentre estes, o Potássio, em concentração centesimal e os que estão em concentração milesimal, com destaque para o Zinco, Cobre, Estrôncio, Molibdênio e os demais minerais encontrados na água do mar. Sobre o Zinco, vale lembrar que esse elemento químico exerce importantes funções no metabolismo humano em todas as idades, mas particularmente, durante a adolescência. Jovens, com deficiência de Zinco aparecem com espinhas.
Voltando à meta, quem cultiva Kappaphycus alvarezii sabe muito bem que, se o plantio é feito em área legalizada e de ambiente marinho propício em temperatura, salinidade, transparência e movimento da água do local, a geração de biomassa, se iniciada com 10 kg, pode ser transformada de 100 Kg, ou mais, no prazo de 30 dias. É isso mesmo, multiplica o peso dez vezes. Economicamente, é um tipo de investimento que desperta interesse, mas, não se engane, as atividades na Algicultura exigem perseverança e muita dedicação ao cultivo. O trabalho no mar é árduo e depende das condições atmosféricas. É preciso atentar para os informes meteorológicos.
Se você vai passar a produzir biomassa de Kappaphycus, certamente, já pensou como e para quem vai vender a produção. Você pode comercializar a biomassa fresca ou os subprodutos.
A elaboração dos subprodutos exige processamento e um sistema de processamento é tanto mais rentável quanto mais biomassa disponível exista. Nessa etapa, instala-se o dilema: As industrias precisam de segurança no fornecimento da matéria prima e o produtor precisa garantir o fornecimento. Daí, há necessidade de contratos espartanos. Porém, o produtor está à mercê das condições climáticas. Para superar essa fragilidade já existe uma alternativa, que é o trabalho em equipe, organizado sob a forma de cooperativa. No SEBRAE, há links para cursos que ensinam as vantagens do empreender coletivamente. A Algicultura Cooperativada poderá atender diferentes empresas no quesito “Compensação de Gás Carbônico”.
A Empresa que pagar para uma cooperativa, parte dos custos de manutenção do cultivo, receberá de uma instituição certificadora, o Selo Verde, pela contribuição à mitigação do teor de CO2 na atmosfera. O Selo Verde será o diferencial do futuro.
Dentre os subprodutos de Kappaphycus. alvarezii, que se destacam em preço, estão os pigmentos: “Fhycocyanin”e “Fhycoerythrin” mas, coloquei está informação com um propósito instigar a vossa curiosidade, para uma busca na internet sobre o preço dos pigmentos orgânicos, pois, cada quilograma de ramas frescas dessa macroalga contem, pelo menos 20 miligrama de cada um dos pigmentos. E o Rio Grande do Norte tem um grande potencial para o cultivo da Kappaphycus em seus mais de 400 quilômetros de costa marítima, podendo atrair investidores que possibilitem a criação de verdadeiras “fazendas marinhas”, gerando renda e representando uma fonte de empregos em todo o litoral.
Considero assim, ter plantado a semente para a autossuficiência brasileira, particularmente nos norte-rio-grandenses, em produtos algáceos. Autossuficiência esta, alicerçada no cultivo das macroalgas da espécie.

