RN 2026 não é número de rodovia estadual, tampouco de bilhete de loteria. É indicativo de que a temporada pré-eleitoral está aberta e tem carro, digo, candidato na pista.
A temporada de pré-campanha começou antes mesmo da a chuva dar o ar da graça no sertão. O ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) e o senador Rogério Marinho (PL) disputam, na prática, a mesma vaga no balcão da direita. Só há uma cadeira, e é de veludo. Do outro lado da mesa, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), tenta se vender como o “nem um, nem outro”, ocupando o centro com a altivez de quem sabe que, no interior, ainda se pesa voto por voto.
Na raia da centro-esquerda, a conversa é outra. Walter Alves (MDB), vice-governador e herdeiro de um dos clãs que há décadas carimbou a política potiguar, espera apenas a governadora Fátima Bezerra (PT) pendurar a faixa para se lançar. Se Fátima disputar o Senado, como tudo indica, Walter será o governador por obra da lei e do calendário, não das urnas. O PT, por sua vez, acena com Cadu Xavier, secretário da Fazenda, um nome que até agora só empolga a ele mesmo – e serve, por ora, para desviar a atenção do provável candidato das hostes esquerdistas.
Ainda é agosto, falta quase um ano para a canetada que definirá quem entra de fato no páreo. Mas o quadro é cristalino: a centro-direita tem três jogadores com cacife, enquanto a centro-esquerda oferece um boi-de-piranha e uma enguia escorregadia. O problema não é falta de nomes. É chegar a hora, como dizia Tancredo Neves, e não ter o nome certo.
As pesquisas feitas neste ano por diversos institutos (Consult, DataVero, Insppe, Paraná Pesquisas, entre outros) não mudam a paisagem. Todas mostram o mesmo quadro: ninguém consolidado, todo mundo embolado e uma multidão de eleitores indecisos, ora inclinados a votar em ninguém, ora prontos a mudar de voto com a primeira propaganda de rádio e televisão. É um empate geral, uma espécie de vale-tudo em que nenhum lado pode cantar vitória.
O que se pode dizer é simples: Allyson vai muito bem no interior e vai bem na Região Metropolitana de Natal. Rogério, por sua vez, pode patinar nas altas taxas de rejeição, um piso escorregadio que derruba estratégia e retórica. Álvaro, que se imaginava herdeiro natural da capital, ainda não mostrou musculatura para encarar o sertão, talvez excetuando-se Caicó e entorno. E o PT, que sonhava em manter o governo, patina entre Natália Bonavides, com eleitorado limitado, e Cadu Xavier, que até agora só é conhecido nas páginas do Diário Oficial.
Há ainda o detalhe incômodo de Styvenson Valentim, o outsider fardado e institucionalizado que já disse e repetiu que não quer disputar. Mesmo assim, seu nome circula como fantasma no noticiário e nas conversas de esquina, embaralhando o jogo. Se ele voltar ao tabuleiro, trava os demais; se não voltar, abre espaço para crescimento de quem souber ocupar o vácuo.
O enredo lembra o velho ditado das oligarquias locais: no Rio Grande do Norte, não basta querer ser candidato, é preciso ser candidato viável. Álvaro e Rogério que o digam. Ambos disputam o mesmo espaço da direita bolsonarista, ambos cortejam as mesmas bases evangélicas e ambos juram fidelidade a Brasília. Um deles terá que ceder – e quem cede, geralmente, some.
A centro-esquerda, por sua vez, vive o drama de quem aposta todas as fichas no Senado. Fátima Bezerra, ao deixar o governo, carregará consigo parte do eleitorado. Walter Alves herdará a faixa, mas não necessariamente os votos. Cadu Xavier pode até ter a bênção do partido, mas no momento é apenas um nome nas planilhas de arrecadação.
Assim, a disputa de 2026 no estado começa com cheiro de indefinição e gosto de velha política.
Até agora, só se sabe que a direita está superlotada, o centro tenta se reinventar e a esquerda procura desesperadamente um candidato que não seja apenas um número na pesquisa. No mais, a política potiguar continua sendo o que sempre foi: um forró de vaquejada, com muita poeira, muito suor e sempre os mesmos dançando, enquanto o povo bate palma do lado de fora do salão.
