Por Renata Carvalho
Com o aumento no número de casos e uma maior preocupação em relação às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, como a dengue, a escolha de um repelente eficaz torna-se uma parte crucial da rotina de cuidados com a saúde. Segundo a médica dermatologista Marianne Farache, “um bom repelente é aquele que tem uma eficácia comprovada contra o mosquito da dengue e que seja aprovado pela Anvisa.”
A médica dermatologista destaca duas substâncias recomendadas, a hicaridina e o DEET, ressaltando que a eficácia não é o único critério. “A duração de efeito desse repelente também deve ser mais prolongada para garantir a proteção ao longo do dia e também ser adequado para a pele de quem vai usar”.
Ao discutir a escolha entre repelentes infantis e de uso adulto, a especialista aponta a importância de considerar a concentração da substância. “Geralmente, os repelentes infantis têm uma concentração mais baixa, o que implica em uma duração de efeito menor do que um repelente de adulto,” explica. A concentração de substâncias como a hicaridina varia conforme a faixa etária, sendo de 25% para adultos, cerca de 20% para crianças acima de seis meses e 10% para bebês a partir de três meses.
Quando se trata da aplicação, Marianne Farache oferece orientações detalhadas. “O repelente deve ser sempre aplicado nas áreas que a roupa não cobre, ou seja, nas áreas que ficam expostas.” Ela aconselha evitar aplicar nas mãos e pés de crianças, pois estas frequentemente levam as mãos e pés à boca. Além disso, destaca a importância de não aplicar em pele lesionada e aguardar 15 minutos após a aplicação de hidratante e protetor solar antes do repelente.
A médica também ressalta a ordem de aplicação desses produtos. “O primeiro a ser passado deve ser sempre o protetor solar. O protetor solar deve ser passado na pele toda que vai ficar exposta ao sol. E aí é importante aguardar 15 minutinhos para secar e só em seguida passar o repelente.” Essa ordem cria uma “nuvem de proteção contra o mosquito da dengue.”
Ao abordar a frequência de reaplicação, a médica oferece diretrizes claras. “Nas crianças, recomendamos duas aplicações por dia, pela manhã e no final da tarde, que é justamente o período que os mosquitos costumam aparecer. E nos adultos, geralmente é recomendado, no máximo, três aplicações por dia.”
A especialista enfatiza a necessidade de atenção ao rótulo do produto. “Oriento as pessoas a sempre ficar atento ao rótulo, porque é lá que está constando a substância, a concentração da substância, para qual faixa etária é indicada e também a frequência de reaplicação. Então isso é o mais importante.”
Além do uso de repelentes, a dermatologista sugere medidas adicionais. “Uma forma econômica de se proteger seria usar roupas de mangas longas, por exemplo, as blusas de manga comprida, calça comprida, e deixar o repelente para as áreas que ficam expostas.” Ela destaca o uso de telas nas janelas e mosquiteiros durante o sono como medidas complementares de proteção.
OUTRAS FORMAS DE PROTEÇÃO
Existem duas categorias de produtos destinados a afastar o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de arboviroses: Repelentes para aplicação na pele e produtos para uso no ambiente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ressalta a inexistência de produtos de uso oral, como comprimidos e vitaminas, com aprovação para repelir o mosquito. A utilização desses itens não é recomendada pela agência.
É importante notar que os inseticidas rotulados como “naturais”, que contêm ingredientes como citronela, andiroba e óleo de cravo, também não possuem uma comprovação de eficácia. O que é o caso das velas, odorizantes de ambientes e incensos que alegam propriedades repelentes de insetos, mas não possuem aprovação pela Anvisa. O consumidor deve estar ciente dessas informações ao buscar métodos de proteção contra o Aedes aegypti.
Gestores discutem cenário da dengue e ações de enfrentamento
O mais recente quadro epidemiológico do Rio Grande do Norte aponta para 2.245 casos notificados de dengue, sendo 383 descartados, 1862 prováveis e 298 confirmados, sem registro de óbito. Nove pessoas estão internadas com dengue em hospitais da rede pública de saúde do RN.
O cenário da dengue no Nordeste foi o foco de uma reunião entre os gestores da região, liderados pela governadora Fátima Bezerra – atual presidente do Consórcio Nordeste, e o Ministério da Saúde, sob o comando da ministra Nisia Trindade.
“O Nordeste segue em uma situação de controle, contudo os casos continuam crescendo, por isso esse encontro é oportuno e necessário para fortalecer as ações conjuntas. Aqui em nosso estado focamos nas ações preventivas de caráter intersetorial, indo diretamente aos territórios. Logo mais, com o início do ano letivo, vamos reforçar a agenda com a educação nas nossas 586 escolas, ambientes adequados para fazer o chamamento da vacinação e da prevenção contra o mosquito”, disse Fátima Bezerra.
O Ministério da Saúde destacou, entre vários pontos, a necessidade de preparação, vigilância e investimento em atenção primária durante o atual momento de enfrentamento à dengue. “O Nordeste tem experiência no manejo da doença, sabendo da importância de lidar de forma antecipada. Destaco que é muito importante agora ter uma atenção básica preparada. Nosso grande objetivo do momento é evitar que o quadro do Nordeste se agrave e isso é uma responsabilidade de todos”, comentou a ministra Nísia Trindade.

