Por Carol Ribeiro
A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2026 desencadeou uma resposta rápida do PT estadual. Em entrevista ao Diário Político, o presidente do partido no Estado, Junior Souto, afirmou que o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), foi colocado como alternativa “ágil” para a sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), garantindo que seja preenchido um vácuo do grupo político na disputa.
“Eu não ficaria à vontade para emitir opinião sobre as razões que o levaram a tomar essa decisão. Mas considero um fato político relevante para nós, que nos fez começar a colocar no circuito da construção política o nome de Cadu. É uma resposta imediata. O grande dado para nós é que essa decisão do vice-governador foi feita sem nenhuma divisão no arco da aliança que construímos. Não há crise, não há problema interno”, explicou Souto.
Taticamente, segundo Souto, o PT ainda não deliberou sobre as demais questões que ensejam a construção da pré-candidatura, mas confirma que já é definida e certa a candidatura de Fátima Bezerra (PT) ao Senado. As demais definições para composição das chapas devem partir de espaços abertos a aliados.
“Nós consideramos que, à medida em que em reunião recente foi comunicado que a governadora é candidata ao Senado, então, nós não temos a presunção de apresentar o nome para o Governo e para Senado e fazer as discussões outras porque seria presunção demasiada. Nós temos aliados importantes e devem ser considerados e respeitados para fechar essa tática. Além do PT, com PV e PCdoB, temos aliados, o vice-governador, o deputado Ezequiel, que são personagens importantes nos processos de definição, a gente não vai se apressar quanto a isso”, ponderou Souto, destacando, ainda, que as reuniões internas para tratar da sucessão já começaram.
No último final de semana, encontros foram realizados em municípios da região Central do estado.
O presidente do PT acredita que não há preocupações sobre a falta de visibilidade de Cadu Xavier no cenário político estadual. Para ele, o contexto atual permite o surgimento rápido de novas lideranças.
“O modo como a gente comunica com a sociedade hoje é tão veloz que essa questão passa a ser um problema muito menor. A emergência de figura do campo conservador que se fez recentemente – não preciso nem mencionar – se fez a partir de um desconhecimento, inclusive maior do que o que o próprio Cadu pode ter de parte da sociedade”, afirmou.
O presidente do PT ressaltou que a escolha de Cadu Xavier se baseia na necessidade de continuidade do projeto liderado por Fátima Bezerra, que, segundo ele, realizou o “melhor governo que o Estado já fez”. Ele citou avanços em áreas como saúde e educação, além da recuperação financeira do estado.
“Multiplicamos os leitos de UTI, fizemos 80 mil cirurgias no ano passado. Isso trouxe desafios para o custeio, mas permitiu uma ampliação no atendimento à população. Na segurança e na educação, também há resultados expressivos. Temos muito a apresentar à sociedade, e Cadu, com seu domínio das questões orçamentárias e financeiras, é um nome qualificado para essa tarefa”, destacou.
Fernando Mineiro acredita que “a campanha de 2026 será nacionalizada”
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O deputado federal Fernando Mineiro (PT) também comentou o cenário político com a reportagem e ressaltou que a eleição estadual estará alinhada com o embate nacional entre diferentes projetos de sociedade. Para ele, o bloco governista apresentará um nome que esteja em sintonia com o governo Lula e com a defesa da democracia.
“A campanha de 2026 será nacionalizada, e o enfrentamento se dará entre visões de Estado, sociedade e democracia. Tenho absoluta certeza de que a maioria da sociedade potiguar não quer retrocesso e muito menos embarcará em aventura capitaneada por cúmplices e/ou aliados de golpistas”, afirmou.
Sobre Cadu Xavier, Mineiro vê potencial para consolidar seu nome como candidato governista. “Ele tem experiência de gestão, conhece profundamente a situação do Estado e pode apresentar um programa que combine modernização da gestão, desenvolvimento com inclusão e distribuição de renda. Mas esse é um debate que será feito no tempo certo”, concluiu.