A Polícia Civil do Rio Grande do Norte investiga possíveis motivações racistas e uma suposta demora no acionamento do atendimento médico no caso da morte de Francisco Paulo da Silva, de 62 anos, após um ataque de pitbull em Extremoz, na Grande Natal.
De acordo com a delegada adjunta de Extremoz, Ana Beatriz Alves, as investigações começaram após o recebimento de uma denúncia apontando que o caso poderia não ter sido apenas um acidente. A polícia analisou mensagens, áudios e prints trocados entre testemunhas que levantaram suspeitas sobre a dinâmica do ocorrido.
Segundo a delegada, quando a equipe chegou ao local, a versão apresentada pela investigada era de que o cachorro teria se soltado sozinho de um cômodo da casa e atacado a vítima, que realizava a limpeza do quintal. Posteriormente, durante interrogatório, a mulher apresentou versões diferentes sobre a porta onde o animal estava, afirmando primeiro que estava fechada e depois dizendo que poderia tê-la deixado aberta.
A suspeita também afirmou que tentou socorrer a vítima após o ataque. Segundo o relato, ela teria arrastado o homem até o interior da residência e tentado fazer um torniquete na perna dele antes de acionar o socorro.
No entanto, a polícia apura um possível intervalo entre o momento do ataque e o pedido de ajuda. De acordo com as investigações preliminares, mensagens encontradas em celulares da investigada indicam que ela teria feito uma chamada de vídeo para uma irmã por volta das 12h08, enquanto o acionamento do serviço de emergência teria ocorrido apenas por volta das 12h29.
“Há um lapso temporal mínimo entre a lesão sofrida pela vítima e o acionamento do serviço de socorro”, afirmou a delegada.


Dois celulares da investigada foram apreendidos e serão submetidos à perícia. A análise do conteúdo, junto com laudos periciais e novas diligências, deve ajudar a esclarecer a dinâmica do caso.
A mulher permanece presa temporariamente por determinação da Justiça.
A prisão tem prazo inicial de 30 dias, período em que a Polícia Civil pretende concluir o inquérito. As investigações também apuram áudios atribuídos à suspeita que mencionariam outros crimes, mas, segundo a delegada, essas informações ainda estão sendo verificadas.

