Por Carol Ribeiro
O Partido Liberal (PL) anunciou, durante coletiva realizada nesta quarta-feira em Natal, novas filiações e avanços na montagem das nominatas para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, consolidando o partido como uma das principais forças da oposição no estado. O principal destaque foi a confirmação da filiação da vereadora Nina Souza, tratada pela direção partidária como peça-chave para a chapa à Câmara Federal.
Presidente estadual do PL, o senador Rogério Marinho confirmou que Nina Souza já assegurou sua ida para o partido e destacou o peso eleitoral do seu nome. Segundo ele, Nina passa a integrar uma nominata que o partido considera “a mais forte e a mais consistente”, com potencial para eleger no mínimo três e possivelmente quatro deputados federais, repetindo ou superando o desempenho da eleição anterior.
A filiação de Nina, no entanto, envolve riscos políticos. De acordo com a deputada federal Carla Dickson, a vereadora pode perder o mandato em Natal ao deixar o União Brasil, já que o partido possui decisão nacional que não libera vereadores para concorrerem por outra legenda fora das hipóteses de justa causa previstas na legislação eleitoral. Ainda assim, o PL avalia que o capital político de Nina compensa o custo institucional da mudança.
Na disputa pela Câmara Federal, o PL já trabalha com uma nominata formada por General Girão, Carla Dickson, Sargento Gonçalves, Major Brilhante, Ludmila Oliveira, de Mossoró, Nina Souza, Pedro Filho, vereador de Assú, o ex-prefeito Daniel Marinho e o empresário Juninho Saia Rodada.
Internamente, a avaliação é de que a combinação de parlamentares de mandato, lideranças regionais e nomes de forte apelo popular amplia a competitividade da chapa.
No plano estadual, a coletiva também marcou a filiação do deputado Luiz Eduardo ao PL, fortalecendo ainda mais a bancada na Assembleia Legislativa. Com isso, o partido passa a reunir deputados de mandato como Coronel Azevedo, Dr. Kerginaldo, José Dias, Tomba Farias, Gustavo Carvalho, Terezinha Maia e Luiz Eduardo, além da expectativa da chegada, durante a janela partidária, de Adjuto Dias, filho do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, anunciado como candidato do grupo ao Governo do Estado.
Segundo dirigentes do partido, o PL passa a contar com a maior bancada da Assembleia Legislativa, somando sete deputados estaduais vinculados à legenda, mesmo com o deputado José Dias já tendo anunciado que não disputará a reeleição. Além dos parlamentares de mandato, a nominata estadual em formação inclui nomes como Jorge do Rosário, presidente do PL em Mossoró, e outros pré-candidatos que seguem em fase de articulação.
Para os líderes do partido, as novas filiações confirmam o crescimento do PL no Rio Grande do Norte e reforçam o discurso de protagonismo tanto na disputa proporcional quanto na majoritária, com chapas robustas e capacidade de influenciar decisivamente o cenário eleitoral de 2026.
Direita e esquerda passam a direcionar atenção para eleição indireta ao Governo

A possibilidade de eleições indiretas para o mandato tampão no Governo do Rio Grande do Norte, entre março e abril, começa as articulações políticas nos dois campos ideológicos. O cenário se abre caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar uma vaga no Senado e o vice-governador Walter Alves (MDB), como já sinalizou publicamente, confirme que não assumirá o Executivo. Diante desse desenho atípico, direita e esquerda se movimentam nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde a escolha do governador do RN será decidida pelos 24 deputados estaduais.
Na direita, as articulações começam após a definição pelo nome escolhido para a disputa de 4 de outubro. Agora, o foco se volta para o nome a ser apresentado para o mandato tampão. Pelo lado da oposição, o discurso público ainda é de cautela. O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao governo em 2026, Álvaro Dias (Republicanos), tem reiterado que seu projeto político está voltado exclusivamente para a eleição direta.
O senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado, também evita antecipar definições, mas admite que o tema está no radar do grupo. Segundo ele, tudo depende da concretização das duas condições centrais: a renúncia de Fátima e a recusa formal de Walter Alves em assumir o governo.
Caso isso ocorra, Rogério afirma que o PL e aliados irão dialogar para avaliar a construção de uma maioria na Assembleia. Hoje, o partido conta com sete deputados estaduais e trabalha para ampliar essa bancada. “Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel, eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição para fazer justamente as ações necessárias para preparar o Estado para o próximo governo”, declarou, em crítica direta à atual gestão.
Dentro do PL, a linha predominante é de que um eventual nome para o mandato tampão deveria ter perfil técnico e de transição. O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) ressaltou que, até o momento, não há nomes colocados pela oposição. “Tem que acontecer duas coisas: a atual governadora anunciar a renúncia e o vice-governador não assumir. Se isso se concretizar, aí sim podemos falar e debater sobre o mandato tampão. No momento, não há nenhum nome ventilado”, afirmou.
PT
Do lado governista, com a saída de Walter Alves da linha sucessória, o PT passa a conversar sobre a eleição indireta na Assembleia. Caso Ezequiel também decline de assumir o governo, como segundo na linha de sucessão, a avaliação interna é de que o sistema governista deverá apresentar um nome próprio para o mandato tampão.
Entre as opções discutidas estão o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, que já é pré-candidato do grupo, prioritário para este projeto. Há também a possibilidade do deputado estadual Francisco do PT, apontado pelos pares na Casa como um nome de perfil mais conciliador entre os parlamentares.
Nos bastidores, Fátima Bezerra é descrita como disposta a apostar alto para manter o controle do Executivo até o fim do mandato. Aliados reconhecem que uma eventual derrota na eleição indireta teria impacto direto sobre sua própria estratégia eleitoral para o Senado.
Fator Ezequiel Ferreira
No centro desse tabuleiro está o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).
Ele será o responsável por conduzir o processo de eleição indireta, caso o cenário se confirme.
Esse papel estratégico fez com que Ezequiel passasse a ser intensamente cortejado pelos dois lados.
Na avaliação da direita, Ezequiel já é tratado como um aliado em potencial. Rogério Marinho admite conversas e aposta na possibilidade de caminhar junto com o presidente da Casa.
“Com a conversa que estamos criando com o deputado Ezequiel eu acho que temos todas as condições, inclusive, se isso for o desejo do grupo, de elegermos um governador de transição”, afirmou Marinho durante coletiva, nesta quarta-feira (21).
Já no campo governista, o discurso é outro. Integrantes da esquerda afirmam que, enquanto não houver um rompimento formal, Ezequiel segue sendo considerado parte da base. “Ele participa do governo, então até prova em contrário, ele é aliado”, resume um nome próximo ao PT.
Nos bastidores, há relatos de que ele já abriu diálogo com a oposição, inclusive com Rogério Marinho. Ao mesmo tempo, tem reunião marcada para a próxima semana, com o dia a definir, com a governadora.

