A menção a um possível “Pix americano” em discussões sobre cooperação financeira entre Brasil e Estados Unidos levantou dúvidas nas redes sociais. O termo, usado de forma informal pelo deputado Eduardo Bolsonaro ao comentar alternativas de integração de sistemas de pagamentos entre os países, remete ao Zelle, uma plataforma de transferências instantâneas bastante utilizada no sistema bancário norte-americano.
Diferente do Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, o Zelle não é um sistema estatal. Ele funciona como uma rede de pagamentos operada por um consórcio de grandes bancos dos Estados Unidos, permitindo transferências diretas entre contas bancárias, geralmente usando apenas número de telefone ou e-mail.
Como funciona o Zelle
O Zelle é integrado aos aplicativos de mais de 1.700 instituições financeiras nos Estados Unidos, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo. As transferências são feitas em minutos, mas o serviço não permite cancelamento após o envio e não atua como intermediário financeiro, já que o dinheiro vai diretamente de uma conta para outra.
Segundo a própria plataforma, o objetivo é facilitar pagamentos entre pessoas físicas, como divisão de contas, transferências familiares e pagamentos rápidos no dia a dia.
Diferenças para o Pix brasileiro
Apesar de frequentemente comparado ao Pix, o Zelle tem diferenças importantes. O sistema brasileiro é operado pelo Banco Central e funciona como infraestrutura pública de pagamentos instantâneos, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, para pessoas físicas e jurídicas.
Já o Zelle depende da adesão dos bancos e não possui um aplicativo independente de uso obrigatório, sendo acessado diretamente pelos apps bancários participantes.
“Pix americano” não existe oficialmente
Até o momento, não existe um sistema oficial nos Estados Unidos equivalente ao Pix brasileiro em termos de centralização pública. O mercado americano é fragmentado, com diversas soluções privadas de pagamento instantâneo, como Zelle, Venmo e Cash App.
Por isso, o uso da expressão “Pix americano” é considerado uma analogia informal, usada para facilitar a comparação entre os dois modelos.
Possível cooperação internacional
A discussão sobre interoperabilidade entre sistemas de pagamentos costuma aparecer em debates sobre integração financeira internacional. Especialistas apontam que, embora existam tecnologias semelhantes, a padronização entre países depende de acordos regulatórios complexos e da atuação de bancos centrais.
O Banco Central do Brasil, responsável pelo Pix, já tem sido referência global em sistemas de pagamentos instantâneos, enquanto os Estados Unidos ainda operam com soluções privadas concorrentes.

