A Escola de Extensão da Uern e o Departamento de Ciências da Religião, promove no próximo sábado (11) a Oficina de Culinária Yabassê. A participação é gratuita e oferece 45 vagas para pessoas interessadas em formação cultural e valorização dos saberes de matriz africana. A oficina será no espaço Ilê Olorum, em Parnamirim, das 13h às 18h.
A atividade faz parte do projeto de extensão “As religiões numa perspectiva afrocentrada: diálogos sobre as religiosidades de matriz africana nos contextos da educação e da saúde”, coordenado pelo professor João Bosco Filho. A iniciativa busca enfrentar o racismo religioso por meio da educação, promovendo o reconhecimento das religiões afro-brasileiras como espaços legítimos de produção de conhecimento, cuidado e cultura.
Durante a atividade, os participantes terão uma vivência prática no preparo de alimentos sagrados como acarajé, caruru e vatapá, compreendidos não apenas como elementos da culinária, mas como expressões culturais atravessadas por história, espiritualidade e identidade. A proposta também destaca o papel das yabassês, mulheres responsáveis pela preparação dos alimentos rituais nos terreiros, reconhecendo sua importância na preservação de saberes ancestrais.
Idealizador da oficina, João Silvestre de Lima Júnior destaca o protagonismo feminino nas tradições afro-religiosas. “A Yabassê nasce do compromisso com a valorização dos saberes ancestrais e, principalmente, com o reconhecimento do protagonismo das mulheres nas cozinhas de terreiro. São elas que mantêm viva a tradição, o cuidado e a espiritualidade que sustentam nossas comunidades”, afirma.
Além da dimensão formativa, o encontro propõe um espaço de troca e reflexão sobre a relação entre culinária, religiosidade e educação. A programação inclui ainda uma celebração aberta à comunidade em homenagem a Iansã e Xangô, seguida de um ajeum coletivo, momento de partilha dos alimentos preparados.
Para o professor João Bosco Filho, a atividade fortalece o papel da universidade pública na construção de uma formação mais inclusiva. “Essa parceria reafirma a importância de construir diálogos entre a universidade e os territórios tradicionais, reconhecendo os terreiros como espaços de produção de saber, memória e resistência”, ressalta.

