Por Bosco Afonso
A notícia que paralisou o mundo nesta manhã não é apenas um fato histórico; é um atentado direto aos alicerces da diplomacia moderna. Sob o pretexto de “restaurar a ordem”, as forças dos Estados Unidos cruzaram a fronteira venezuelana com um objetivo central: a captura e prisão de Nicolás Maduro.
Não se trata aqui de defender a gestão de Maduro. É consenso que o regime venezuelano caminha por trilhas autoritárias, sufocando a oposição e mergulhando seu povo em uma crise humanitária sem precedentes. No entanto, o reconhecimento de uma ditadura não confere a nenhuma potência estrangeira a “chave mestra” para violar as fronteiras de uma nação soberana.
O que assistimos é uma ação esdrúxula, desprovida de qualquer sustentação no bom senso ou no direito internacional. Ao ignorar as instâncias multilaterais, como a ONU, Washington não apenas ataca Caracas; ataca a própria ideia de que as nações são donas de seus destinos. Se a soberania de um país pode ser atropelada por uma decisão unilateral, quem será o próximo na lista de quem detém o maior poder bélico?
A reação global promete ser um coro de indignação. Líderes de diferentes espectros ideológicos já ensaiam protestos veementes contra essa intervenção. Não há argumento retórico que mascare o perigo de abrir este precedente: o mundo não pode aceitar que a democracia seja imposta pela ponta de um fuzil estrangeiro.
Nesta coluna, analisaremos como essa invasão desestabiliza não apenas a América Latina, mas o frágil equilíbrio geopolítico global. A soberania não é um detalhe burocrático; é o que nos separa da barbárie do mais forte contra o mais fraco.

