Batizada de Influenza K, a nova variante da gripe já preocupa especialistas e diferente do que muitos imaginam, ela não é um vírus totalmente novo, mas apresenta alterações que aceleram a circulação em países como Brasil, Austrália, Japão e Estados Unidos. Especialistas alertam que, embora não seja mais grave que outras variantes, a rapidez da transmissão e a imunidade parcial da população exigem atenção redobrada.
Segundo os especialistas, informou o portal Dol, o subclado K é uma variação do vírus influenza A (H3N2) e surgiu com onze substituições na proteína hemaglutinina, tornando-o antigenicamente mais distante tanto das cepas das vacinas quanto de imunidades adquiridas em infecções anteriores. Em outras palavras, o vírus encontra uma população menos protegida, o que explica por que temporadas dominadas pelo K tendem a começar mais cedo e se espalhar rapidamente.
Em termos globais, o impacto dele já é visível. Nos Estados Unidos, a temporada recente provocou cerca de 11 milhões de casos, 120 mil hospitalizações e 5 mil mortes. No Brasil, mais de 24 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram registrados nas primeiras semanas de 2026, com o vírus influenza A entre os principais agentes identificados.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforça que a circulação da influenza está sendo monitorada com atenção, especialmente em um cenário em que a vacinação segue abaixo do recomendado. Historicamente, a cobertura nunca atingiu a meta de 90%. Em 2024, o índice variou entre 49% no Norte e 55% nas demais regiões do país. Com isso, especialistas alertam que essa baixa adesão abre espaço para variantes com escape antigênico, como o K, se espalharem rapidamente.
Apesar do distanciamento do subclado K, a vacina continua sendo eficaz. Um estudo da Universidade da Pensilvânia publicado em março de 2026 no NEJM Evidence mostrou que a formulação 2025-2026 induziu anticorpos capazes de reconhecer o K em 39% dos vacinados, contra 11% antes da imunização. Mesmo parcial, a proteção diminui complicações, hospitalizações e mortes, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.
Idosos, crianças menores de dois anos e imunossuprimidos concentram a maioria das complicações graves. Nos idosos, o fenômeno da imunossenescência reduz a eficácia da resposta imunológica. Já os imunossuprimidos, pacientes oncológicos, transplantados ou em uso de medicamentos que comprometem a defesa do organismo, enfrentam risco duplamente elevado, devido a menor resposta à vacina. Para crianças pequenas, a ausência de memória imunológica e a vulnerabilidade às condições climáticas, como o período seco no Centro-Oeste e Sudeste, tornam a hospitalização mais frequente.
Apesar da taxa de eficiência da vacina atual contrao virús, especialista reforçam que a preocupação é com a velocidade com que ele alcança populações vulneráveis. Por isso, vacinar-se antes do pico da temporada é fundamental, assim como manter higiene das mãos e reduzir a exposição em ambientes fechados nos períodos de maior circulação viral.

