O tabagismo é uma doença crônica listada na Classificação Internacional de Doenças (CID10) da Organização Mundial da Saúde (OMS), caracterizada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco e que aumenta o risco do desenvolvimento de outras doenças crônicas não transmissíveis (DNCT).
Segundo informações do Ministério da Saúde, o consumo de tabaco e o “fumo passivo” (que acontece com a exposição à fumaça) podem levar ao desenvolvimento de aproximadamente 50 enfermidades, dentre as quais vários tipos de câncer, doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e estão entre as principais causas de problemas cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses).
Há ainda outras doenças relacionadas ao tabagismo como úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; patologias buco-dentais; impotência sexual no homem; infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez.
A pneumologista Suzianne Lima alerta que os danos do cigarro não têm reversão e afetam tanto o tabagista ativo quanto o passivo: “Lógico que em proporções diferentes. Mas as doenças, infelizmente, acometem também o tabagista passivo e por isso as leis que proíbem fumar em locais fechados e semiabertos são de extrema importância”
Quando falamos do cigarro convencional, nas últimas décadas, o Brasil conseguiu avançar no controle ao consumo do tabaco com as regras mais rígidas da Lei Antifumo que dispõe sobre as restrições ao uso e propaganda de produtos derivados do tabaco, entre outros. É essa a lei que estabelece a proibição de fumar em ambientes fechados.
Mas o que preocupa os especialistas é o crescimento do uso do cigarro eletrônico, aparelhos mecânico-eletrônicos compostos por bateria e diferentes mecanismos de funcionamento que produzem vapor ou aerossol. A pneumologista explica que o cigarro eletrônico tem mais de 2000 substâncias nocivas, inflamatórias, cancerígenas e tóxicas ao organismo, podem conter metais pesados – como benzeno e arsênio, entre outras coisas. “Entram a quase 350°C essas substâncias e tem nicotina, que é o que faz o paciente ficar viciado. Além disso, a nicotina do cigarro eletrônico de última geração é pequenininha, são chamados sargenicotina e atravessam barreira do sangue para o cérebro muito rápido, causando uma dependência incrivelmente rápida”. Entre as doenças decorrentes do uso do cigarro eletrônico, a médica chama atenção para a EVALI (do inglês E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury) com grande ocorrência em pacientes jovens: “É uma lesão que é causada quando o paciente fuma cigarros eletrônicos em que o pulmão fica de uma maneira inflamado, difusamente, dando insuficiência respiratório aguda nesse paciente e muitos vão morrer”.
FIM DA DEPENDÊNCIA
Uma vez estabelecida a dependência, abandonar o tabagismo não costuma ser uma tarefa fácil. “Um dificultador foi a força do hábito. O cigarro fazendo parte do dia a dia. Tomar um cafezinho e fumar um cigarro depois. Quando estava aguardando alguma coisa o cigarro preenchia o tempo. Para não faltar, tinha sempre cigarros disponíveis para fumar. Isso também dificultava muito parar de fumar”, lembra o aposentado Jaomar Vidal, fumante por 40 anos e que há cerca de 12 conseguiu pôr um ponto final na relação com o cigarro.
Mesmo com todas as dificuldades que podem surgir no processo, algumas pessoas conseguem estabelecer e cumprir suas próprias metas, mas outras só obtém sucesso com acompanhamento especializado.
Em Natal, a Secretaria Municipal de Saúde dispõe do Ambulatório de Prevenção e Tratamento de Tabagismo, Alcoolismo e outras Drogadições (APTAD), destinado ao atendimento de pessoas em uso abusivo de tabaco, álcool e outras drogas. O núcleo funciona na Rua Governador Valadares, 01. Conjunto Pirangi – Neópolis. O atendimento presencial acontece das 14h30 às 20h
Segundo a pneumologista Suzianne Lima, três benefícios são imediatos quando o paciente para de fumar: “As papilas gustativas voltam a sentir o sabor das coisas. Tudo volta a ser saboroso, gostoso. O nervo olfatório também volta a sentir cheiros reais, tudo se torna muito cheiroso, muito agradável e em pouquíssimo tempo a respiração ganha mais volume e a pessoa vai respirar melhor. ”

