As negociações entre EUA e Irã realizadas em Islamabad, capital do Paquistão, terminaram sem acordo após mais de 21 horas de conversas intensas. As delegações deixaram o país neste domingo (12), mantendo o impasse sobre pontos centrais, como o programa nuclear iraniano.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que os negociadores iranianos se recusaram a aceitar os termos propostos por Washington, classificados por ele como “bastante flexíveis”.
“Já estamos nisso há 21 horas e tivemos várias discussões substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não conseguimos avançar”, disse Vance em coletiva realizada em Islamabad.
Segundo o vice-presidente americano, o principal ponto de discórdia foi a recusa de Teerã em assumir um compromisso firme de abandonar o desenvolvimento de armas nucleares.
“Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear”, afirmou.
“Partimos daqui com uma proposta muito simples, nossa oferta final e melhor”, concluiu Vance.

Do lado iraniano, a versão é diferente. A agência de notícias semioficial Tasnim atribuiu o fracasso das negociações às exigências americanas, classificadas como “excessivas”.
“As negociações terminaram e, devido ao excesso de zelo e ambições dos EUA, não foi possível chegar a uma estrutura comum”, relatou.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que houve acordo em alguns pontos, mas divergências em “dois ou três pontos-chave” impediram um avanço mais amplo.

Impasse sobre programa nuclear e Ormuz
Entre os principais entraves estão o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, considerado estratégico por concentrar cerca de 20% do fluxo global de petróleo.
Autoridades iranianas indicaram que o país não pretende abrir mão de sua capacidade nuclear ou alterar sua posição no estreito enquanto não houver um acordo considerado “razoável”.
Uma fonte próxima às negociações afirmou à agência Fars que o Irã “não tem pressa” e que, por ora, não há planos para uma nova rodada de conversas.
Apesar disso, o porta-voz iraniano, Esmaeil Baqaei, adotou um tom menos definitivo e afirmou que “a diplomacia nunca termina”.
“Linhas vermelhas”
Vance também ressaltou que os Estados Unidos deixaram claras suas “linhas vermelhas” durante as negociações, conduzidas sob orientação direta do presidente Donald Trump.
Segundo ele, houve comunicação constante com autoridades americanas, incluindo Trump, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário do Tesouro Scott Bessent.
“Estávamos negociando de boa-fé o tempo todo”, afirmou.
Antes mesmo do fim das conversas, Trump já havia indicado que um acordo não seria essencial.
“Se chegarmos a um acordo ou não, para mim não faz diferença, porque já vencemos”, disse o presidente.
Mediação do Paquistão continua
O Paquistão, que sediou as negociações, afirmou que seguirá atuando como mediador.
O ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, disse que o país continuará facilitando o diálogo entre as partes.
“As negociações foram intensas e construtivas. Continuaremos desempenhando nosso papel para promover o engajamento entre Irã e Estados Unidos”, afirmou.
Mesmo sem acordo, Dar destacou a importância de manter o cessar-fogo e evitar uma escalada ainda maior no conflito.
*Com informações de CNN

