O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PL), proibiu que parlamentares realizem reuniões de comissões da Casa. O despacho foi assinado nesta terça-feira (22) e publicado no Diário Oficial da Câmara.
O ato determina que as atividades legislativas sejam retomadas apenas em agosto. Em resposta à medida, a Comissão de Segurança Pública marcou uma coletiva de imprensa nesta manhã para manifestações dos parlamentares.
A decisão foi tomada por Motta após duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados presididas por parlamentares do PL (Partido Liberal) marcarem reuniões para esta terça-feira (22), com pautas voltadas ao apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As sessões ocorreriam mesmo durante o recesso informal do Legislativo.
Às 10h, estavam previstas reuniões da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, presidida por Paulo Bilynskyj (PL-SP), e da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, comandada por Filipe Barros (PL-PR).
Na Comissão de Segurança Pública, os parlamentares queriam votar uma moção de solidariedade a Bolsonaro. O requerimento foi apresentado por deputados da oposição, de partidos como PL, PP, PSD, União Brasil e Republicanos, e mencionava uma “alegada perseguição política” ao ex-presidente.
Já na Comissão de Relações Exteriores, estava em pauta uma moção de apoio e uma moção de louvor a Bolsonaro, assinadas respectivamente pelos deputados Evair Vieira de Melo (PP-ES) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara.
As manifestações faziam parte de um movimento organizado por aliados de Bolsonaro após ele ter sido alvo de operação da Polícia Federal, na última sexta-feira (18).
O ex-presidente teve tornozeleira eletrônica instalada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e foi proibido de manter contato com algumas pessoas, incluindo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Nesta segunda-feira (21), parlamentares da oposição se reuniram para discutir novos desdobramentos e estratégias. Três comissões internas foram anunciadas pelo PL para coordenar a atuação política em defesa do ex-presidente:
- Uma focada na comunicação dos parlamentares, sob a liderança de Gustavo Gayer (PL-GO);
- Outra dedicada à articulação interna no Congresso, liderada por Cabo Gilberto (PL-PB);
- E uma terceira responsável por mobilizações externas, encabeçada por Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC).
*Com informações do R7 e da CNN

