O romancista português António Lobo Antunes, um dos escritores lusófonos mais lidos e traduzidos do mundo e em várias ocasiões favorito ao Prêmio Nobel de Literatura, faleceu aos 83 anos, anunciou nesta quinta-feira (5) sua editora, o Grupo Leya.
“Sua morte está confirmada. Divulgaremos uma nota de condolências”, disse à AFP uma porta-voz da Leya, a editora que publicou seu último romance em 2022.
Lobo Antunes, cronista da sociedade portuguesa contemporânea, é autor de uma obra exigente, que mistura romance, poesia e autobiografia em um estilo barroco e metafórico.
Casado duas vezes e pai de três filhas, havia superado três cânceres enquanto continuava escrevendo, em média, um romance por ano, mas deixou de publicar nos últimos tempos.
O último livro publicado do escritor foi “As Outras Crónicas”, em 2024. Antes, em “O Tamanho do Mundo”, ele refletiu sobre a velhice e a morte.
Segundo um jornalista ao qual ele concedeu uma série de entrevistas, o autor teria sofrido de uma forma de demência, informação que nunca foi confirmada por pessoas próximas.
Nascido em 1942 em uma família da alta burguesia lisboeta, Lobo Antunes descobriu no início dos anos 1970 os horrores da guerra colonial em Angola, para onde foi enviado como médico militar.
Em seu retorno, trabalhou como psiquiatra em um hospital de Lisboa e conheceu o sucesso a partir do segundo romance, “Os Cus de Judas” (1979), monólogo de um homem que voltou da guerra.
Autor de cerca de trinta romances e de várias coletâneas de artigos de imprensa, recebeu em 2007 o Prêmio Camões, a distinção literária mais importante da língua portuguesa.
*Com informações de Folha de São Paulo

