Os dois detentos que escaparam da Penitenciária Federal de Mossoró, estavam usando o uniforme azul da unidade e saíram pelo alambrado, conforme revelado por filmagens do sistema de segurança interno. O Ministério da Justiça investiga a possibilidade de que a fuga tenha sido facilitada devido as obras em andamento na unidade. Esta é a primeira vez que ocorre uma fuga em uma penitenciária de segurança máxima no Brasil, onde existem apenas cinco dessas instituições.
As imagens mostram os detentos Deibson Cabral Nascimento (33) e Rogério da Silva Mendonça (35) atravessando uma área em obras com gradil por volta das 3h30 da manhã, próximo aos espaços destinados ao banho de sol e às celas dos presos, conhecidos como vivências A e D. O vídeo, mantido em sigilo, foi descrito por fontes na Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Agentes penitenciários notaram a ausência dos detentos cerca de duas horas após a fuga, durante a contagem antes do café da manhã, no entanto, a Polícia Militar somente foi acionada às 8h. Segundo informações da força-tarefa responsável pela investigação, os presos jantaram normalmente antes de evadir-se da penitenciária.
Investigações em andamento
Em Mossoró, para acessar e deixar a unidade, é necessário passar por seis barreiras com detectores de metais e/ou scanner, sendo todo o trajeto monitorado por câmeras de vigilância. Um dos principais objetivos da investigação é esclarecer como os fugitivos conseguiram transpor essas barreiras de segurança.
Investigações estão em andamento para determinar se houve falha humana, cooptação ou acesso a ferramentas provenientes da obra em andamento nas proximidades da penitenciária. As autoridades estão preocupadas com a falta de respostas sobre como os presos conseguiram atravessar várias portas e burlar o sistema de câmeras de segurança.
Fugitivos são “matadores do CV”
Os dois fugitivos são membros da facção criminosa Comando Vermelho, considerada a principal organização criminosa do Rio de Janeiro. Ambos estiveram envolvidos em uma rebelião ocorrida no presídio Antônio Amaro Alves, no Acre, em julho do ano passado, o que levou à sua transferência para a unidade de Mossoró.
Deibson, conhecido como “Tatu”, estava cumprindo uma pena de 33 anos por assalto à mão armada e também enfrentava processos relacionados ao tráfico de drogas.
Por sua vez, Rogério, apelidado de “Martelo”, tinha uma suástica tatuada na mão e uma condenação de cinco anos por tráfico de drogas. Além disso, ele respondia a processos por homicídio qualificado, roubo e violência doméstica.
Até o momento, o Ministério da Justiça não comentou oficialmente sobre o caso.

