Os ministérios do Esporte e da Mulher emitiram, neste domingo (22), uma nota conjunta classificando como “absurdo” o episódio de desrespeito profissional e machismo envolvendo a árbitra Daiane Muniz. O caso ocorreu após a eliminação do Red Bull Bragantino pelo São Paulo, nas quartas de final do Campeonato Paulista, quando o zagueiro Gustavo Marques afirmou que a Federação Paulista de Futebol “não deveria colocar uma mulher” para apitar um “jogo desse tamanho”.
No comunicado, as pastas repudiam veementemente as declarações e reafirmam solidariedade à árbitra e a todas as mulheres que atuam no futebol, dentro e fora de campo. “Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado”, destacam os ministérios.
O respeito às mulheres, segundo as pastas, é inegociável. “Mulher deve estar onde ela quiser — no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade”, reforçaram.
Segundo relatos, familiares do jogador, incluindo esposa e irmã, reagiram duramente ao gesto machista, e Gustavo Marques se desculpou ainda na zona mista, antes de deixar o estádio. A direção do Red Bull Bragantino e a Federação Paulista de Futebol também condenaram as declarações. A FPF destacou que possui 36 árbitras em seu quadro e que trabalha para aumentar esse número, além de informar que o caso será enviado à Justiça Desportiva para que “providências cabíveis” sejam adotadas.
Os ministérios ressaltaram que o episódio se soma a outras manifestações que buscam relativizar violência contra a mulher no esporte. Em 19 de fevereiro, a mesma pasta emitiu repúdio a uma homenagem feita por jogadores do Vasco da Gama do Acre a três atletas presos por acusação de estupro coletivo. “É inaceitável que o esporte, espaço de formação e inspiração para a juventude, seja utilizado para naturalizar ou relativizar a violência contra a mulher”, afirmaram.

