Uma declaração de Pablo Marçal dá a dimensão do que pode estar em jogo caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial no segundo turno. No domingo (4), durante a exibição do programa da BNTV Brasil, ao comentar o resultado do primeiro turno, o empresário, influenciador e aliado de Flávio afirmou que aceitaria até uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo do senador e disse que, se fosse escolhido, iria “tocar o terror” na Corte.
“O que o Flávio falar, eu estou na guerra. Se o Flávio quiser me pôr de ministro do STF, eu também tenho o meu diploma de Direito, eu vou tocar o terror lá no STF”, afirmou.
A declaração ocorre poucos dias depois de Flávio convidar Marçal para integrar um eventual governo. Em 29 de setembro, o candidato afirmou que o influenciador poderia atuar nas áreas de empreendedorismo e mobilidade social e disse que os dois estavam “unindo forças” em uma coalizão. A informação foi confirmada pela assessoria de Flávio ao SBT News.
A indicação de um ministro do STF, no entanto, não depende apenas da vontade do presidente. O nome escolhido precisa ser submetido à sabatina e aprovado pelo Senado antes da nomeação.
Embora Marçal tenha citado seu diploma de Direito ao se oferecer para uma vaga no STF, a Constituição exige que o indicado tenha entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada.
Marçal, por sua vez, teve o registro de candidatura à Presidência indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro e foi declarado inelegível até 2032. Ele foi condenado pela Justiça Eleitoral de São Paulo por ofertar gravações de vídeos para vereadores e prefeitos em troca de doações em dinheiro durante as eleições municipais de 2024.
Além disso, o Ministério Público Federal (MPF), que pediu ao TSE o indeferimento da candidatura, apontou que Marçal não estava filiado ao PRTB em abril de 2026, quando terminou o prazo legal para a definição partidária. Segundo o MPF, ele ainda estava filiado ao União Brasil.
Marçal diz aceitar “qualquer coisa”
Na mesma participação na BNTV Brasil, Marçal afirmou que está disposto a assumir diferentes funções em um eventual governo de Flávio.
Ao citar a possibilidade de comandar uma estrutura de “Superinteligência”, disse:
“Se ele quiser me colocar para ser o ministro da ‘Superinteligência’, se quiser me colocar para qualquer coisa eu estou dentro.”
A declaração reforça a disposição de Marçal de participar da administração caso Flávio seja eleito. A vaga no STF, porém, foi citada pelo próprio empresário como uma possibilidade, condicionada à vontade do candidato.
O que está em jogo no STF
A fala de Marçal acontece enquanto o entorno de Flávio discute abertamente mudanças na relação entre o governo e o Supremo.
Nesta terça-feira (6), a jornalista Daniela Lima informou que integrantes da campanha de Flávio tratam o impeachment de ministro do STF como um possível marco de um eventual governo. A informação foi divulgada no programa Pulso Político, do UOL.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), também vem defendendo mudanças na atuação do Senado em relação a eventuais processos contra ministros da Corte. Nesta terça, após reunião com Edson Fachin, disse que o Senado não se omitirá diante de possíveis crimes de responsabilidade cometidos por integrantes do Supremo.
A composição futura do tribunal também está em disputa. O próximo presidente poderá preencher quatro vagas no STF ao longo do mandato.
*Com informações de ICL Notícias

