O lançamento da nova fase de Bridgerton, um dos títulos mais comentados da Netflix, voltou a movimentar as redes sociais com romances e disputas da aristocracia londrina. Além do entretenimento, no entanto, a produção tem sido utilizada por professores como repertório sociocultural para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Especialista em preparação para o exame, o professor Sérgio Lima explica como transformar a série em argumento consistente dentro do texto dissertativo-argumentativo. Segundo ele, muitos estudantes consomem produções audiovisuais diariamente, mas deixam de explorar o potencial crítico dessas narrativas. “Se o aluno enxerga apenas o romance, perde metade da potência da obra. A série mostra quem sustenta o luxo das elites e como essas hierarquias são naturalizadas”, afirma.
A nova parte da temporada amplia o foco para personagens que atuam nos bastidores das grandes casas, como criados e trabalhadores responsáveis pela manutenção da aristocracia. O recorte permite discutir desigualdade social, divisão de classes, exploração do trabalho e invisibilidade, temas recorrentes nas propostas do Enem. Ao estabelecer paralelos entre o contexto histórico retratado e a realidade contemporânea, o candidato demonstra repertório legítimo e maturidade argumentativa, critérios valorizados na correção.
O professor também relaciona a ficção com dados do cenário brasileiro. O país possui cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos, sendo aproximadamente 92% mulheres — em sua maioria mulheres negras —, o que evidencia a permanência de estruturas de classe e gênero. Para ele, conectar informações concretas à obra cultural fortalece a tese e diferencia a redação em meio a milhares de textos.
De acordo com Sérgio Lima, o uso estratégico da série exige contextualização breve, relação direta com o tema proposto e articulação com dados ou conceitos sociais. “Cultura pop não é enfeite. Ela precisa funcionar como prova dentro do argumento”, reforça.
A proposta integra uma metodologia que aproxima o conteúdo do Enem da linguagem contemporânea dos jovens, utilizando produções em destaque nas plataformas digitais para tornar o estudo mais acessível. Com a repercussão da nova fase de Bridgerton, o interesse do público pode se transformar em ferramenta de aprendizado e formação crítica quando bem interpretado.

