Mãe de três filhos e vivenciando a maternidade solo e atípica, Natália Leopoldina percebeu os indícios do transtorno de espectro autista de sua filha caçula, Maria Luzia, desde os primeiros sinais de que algo não estava acontecendo dentro da normalidade do desenvolvimento da primeira infância. “Ela não respondia aos comandos, andava de ponta de pé, não falava, tinha seletividade alimentar e era muito sensorial. Ela é aquela autista ‘original’, tem de tudo um pouco”.
Por meio desses comportamentos, que despertaram sua atenção, e as dúvidas que começaram a surgir, Natália prontamente buscou um profissional: “Minha história com o autismo iniciou depois que eu recebi o laudo da minha filha. A partir desse momento, eu decidi estudar sobre o assunto e ler muito. Para compreender melhor a minha filha. Maria Luiza começou a investigação com 2 anos, mas só recebeu o laudo com 3 anos”.

Para ela, o maior desafio é o desenvolvimento de sua filha, mas se diz esperançosa para que Maria Luiza, assim como outras crianças autistas, tenham uma vida normal. Natália afirma que a interação entre crianças atípicas e não-atípicas gera inclusão social, além de garantir o direito do convívio em sociedade, respeitar as diferenças é indispensável para garantir esse direito.
“Eu, por exemplo, tenho três filhos e todos respeitam as crianças atípicas por eu conversar e incluir a nossa autista em todas as atividades possíveis”, disse.
Natália Leopoldina não quis expor sua profissão, mas ela é moradora do bairro Jardins, em São Gonçalo do Amarante, há nove anos e é uma das idealizadoras do 1° Encontro de Família com Crianças Autistas do Bairro Jardins. De acordo com a mãe atípica, esses eventos são fundamentais para todas as crianças.
“É de grande importância para as nossas crianças terem eventos destinados a elas. Infelizmente ainda existe muito preconceito. Fazendo um evento para família e crianças atípicas vamos trabalhar a socialização dessas crianças com crianças com outras dificuldades e até mesmo crianças não-atípicas. É indispensável a participação de todos para o desenvolvimento das crianças na sociedade”.
COTIDIANO DESAFIADOR
Segundo a dona de casa Márcia Mirelle, ser mãe de autista é enfrentar o cotidiano com muita paciência, atenção e amor, para sempre procurar aprender tudo sobre o universo dos autistas. “O mais desafiador para mim é a inclusão dele na sociedade, pois infelizmente tem muitas pessoas que não sabem ainda como lidar com o universo do autismo. Cada um tem seu mundo e temos que aprender a lidar com todos”.
Para Márcia Mirelle, seu contato com o espectro de transtorno autista ocorreu por meio de seu filho de oito anos, Arthur França, quando ele tinha apenas três anos e desde o começo, ela afirma que já sabia que seria uma longa jornada para a inclusão na sociedade: “O que me chamou atenção nele foi o atraso na fala, Arthur só gostava de brincar sozinho e ficava isolado das outras crianças”.
A dona de casa, abdicou de muitas coisas para cuidar de seu filho em tempo integral, mas não se arrepende da dedicação que tem todos os dias: “Realmente tudo mudou, minha rotina, minha dedicação, minhas prioridades, tudo gira em torno dele”.
Ela também conta que, cada vez mais, mães, pais e responsáveis de crianças autistas têm se unido em grupos de WhatsApp para trocar vivências: “Faço parte e acho muito importante a troca de experiências, o apoio que tenho nesses grupos, mostra que não estou só nessa luta diária”.
Um dos maiores desafios sentidos pais de crianças diagnosticadas com TEA, além da partilha da rotina puxada, é a inclusão dos filhos na sociedade, os medos a respeito das particularidades de seus filhos e a interação com outras crianças, por isso, ela acredita que a promoção de eventos de interação entre crianças, melhora essa insegurança e garante um momento que responsáveis e crianças aproveitam o lazer sem restrições.
“Para mim é bastante importante, para mostrar que não estamos sozinhos no bairro Jardins, para mostrar aos pais de autistas que temos apoio para ajudar a incluir nossos filhos na sociedade”.
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
O 1º Encontro da família com autistas do bairro Jardins é um evento gratuito, que visa promover a participação e a interação entre as crianças e proporcionar uma tarde de muita diversão para os participantes de todas as idades. O encontro acontecerá neste sábado (10), a partir das 15h, na Escola Estadual Ivani Machado Bezerra.
A programação é repleta de atividades, incluindo a exposição de Jiu-jitsu, bazar gratuito, sorteio de brindes, pintura de rosto e oficina de artes. Para garantir a diversão da criançada, terá Pula-Pula, Casinha de Bolinhas, Tobogã com Casinha, Jacaré Inflável, além da presença dos personagens infantis, como Galinha Pintadinha, Mickey e outros. Para mais informações: 84 8723-8301.

