A mãe da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), conhecida por suas críticas a políticas sociais, especialmente aquelas voltadas a mulheres e minorias, recebe um benefício assistencial pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desde pelo menos 2019. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A artesã Débora Campopiano, de 59 anos, é beneficiária do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante o pagamento mensal de um salário mínimo a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação.
Como ainda não completou 65 anos, Débora não atende ao requisito de idade previsto para idosos. Nesse caso, a concessão do benefício depende do enquadramento nos critérios aplicáveis às pessoas com deficiência, além da avaliação socioeconômica.
A revelação chama atenção pela atuação política da filha, eleita deputada estadual pelo PL nas eleições de 2026, após exercer mandato de vereadora em Praia Grande, no litoral paulista.
Mãe de parlamentar divulga cursos pagos nas redes sociais
De acordo com a coluna de Lauro Jardim, Débora Campopiano mantém um perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores, utilizado para divulgar cursos de confecção de bonecas artesanais e de pano.
Em uma publicação de 2025, a artesã convidou seguidores a participar de um workshop pago, com possibilidade de parcelamento em até quatro vezes sem juros.
Em agosto de 2023, a própria Eduarda Campopiano apareceu em uma publicação no perfil da mãe convidando interessadas a participar de um curso inicialmente gratuito, que posteriormente daria acesso a outras ofertas de aprendizado.
Outra publicação, também de 2023, anunciava um curso pelo valor de R$ 67 à vista ou em 12 parcelas de R$ 6,82.
A divulgação de atividades comerciais, por si só, não comprova irregularidade no recebimento do BPC. Para avaliar eventual impacto sobre a concessão do benefício, seria necessário verificar se a atividade gera renda, os valores efetivamente recebidos e a composição do grupo familiar considerado pelo INSS.
Salário de Eduarda pode ser relevante para cálculo do benefício
Outro ponto levantado pela reportagem é a renda da deputada eleita. Segundo dados da Câmara Municipal de Praia Grande reproduzidos pela imprensa, Eduarda recebe R$ 15.193,35 mensais como vereadora desde 2025.
O valor pode ser relevante para a análise do BPC caso a parlamentar more com a mãe e integre o grupo familiar previsto na legislação. Pelas regras do benefício, filhos solteiros que residem na mesma casa são considerados no cálculo da renda familiar.
A renda mensal por pessoa deve ser, em regra, de até um quarto do salário mínimo. Em 2026, esse limite corresponde a R$ 405,25, considerando o salário mínimo de R$ 1.621. Existem, porém, regras específicas sobre quais rendimentos entram no cálculo e sobre a avaliação das condições de vulnerabilidade.
Assessoria não esclareceu situação familiar
Procurada pela imprensa, a assessoria de Eduarda Campopiano não esclareceu se a deputada eleita reside com a mãe, se Débora possui deficiência que justifique a concessão do benefício ou se eventuais rendimentos provenientes dos cursos de artesanato foram declarados ao INSS.
Também não foram divulgadas informações suficientes para determinar a composição familiar registrada no Cadastro Único ou concluir se houve descumprimento dos requisitos legais.
O BPC é um benefício assistencial, e não uma aposentadoria. Ele não exige contribuições anteriores à Previdência Social, mas depende do cumprimento dos critérios legais e está sujeito a revisões periódicas, conforme explica o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

