O governo britânico impediu a entrada do rapper americano Kanye West no Reino Unido, alegando que sua presença não seria benéfica para o bem público, informou o repórter da BBC, Nick Eardley, no X, nesta terça-feira (7).
A atualização surge na sequência de críticas crescentes à sua escalação como atração principal no festival de música Wireless, em Londres.
West, agora conhecido como Ye, já foi criticado no passado por declarações antissemitas e por exaltar o nazismo, o que levou, em diversas ocasiões, ao bloqueio de suas contas nas redes sociais, incluindo a conta X.
A decisão de contratar Ye fez com que várias empresas retirassem o patrocínio ao festival. O Partido Conservador, principal força de oposição, enviou uma carta à Secretária do Interior, Shabana Mahmood, pedindo que o músico fosse proibido de entrar no Reino Unido.
Melvin Benn, diretor administrativo da Festival Republic, uma das organizadoras, defendeu a decisão de manter Ye como headliner apesar de seus comentários “abomináveis”, pedindo que o público ofereça perdão ao artista.
Benn afirmou que Ye não terá “uma plataforma para exaltar opiniões” no palco e ressaltou que as músicas do rapper tocam em rádios comerciais e estão disponíveis para streaming “sem comentários ou críticas de ninguém”, acrescentando que ele tem o “direito legal de entrar no país e se apresentar”.
“O perdão e a segunda chance estão se tornando virtudes perdidas neste mundo cada vez mais dividido. Peço que as pessoas reflitam sobre seus comentários imediatos de nojo (…) e ofereçam algum perdão e esperança, como eu decidi fazer”, completou Benn.
A Live Nation, outra organizadora do evento, e os representantes de Ye não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Na semana passada, o Conselho de Liderança Judaica condenou a contratação de Ye após um aumento nos ataques a judeus e alvos judaicos.
“Profundamente preocupante”
O primeiro-ministro Keir Starmer também descreveu como “profundamente preocupante” a decisão de escalar Ye para o festival em Londres. “O antissemitismo em qualquer forma é abominável e deve ser confrontado com firmeza onde quer que apareça”, afirmou Starmer. “Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde o povo judeu se sinta seguro.”
Um porta-voz do prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que os comentários do rapper não refletem os valores da cidade e que a decisão foi exclusiva dos organizadores.
Em julho do ano passado, a Austrália cancelou o visto do rapper após ele lançar “Heil Hitler”, uma música que promovia o nazismo. O banimento ocorreu meses depois de Ye anunciar a venda de camisetas com suásticas em seu site.
Em janeiro, Ye publicou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal pedindo desculpas por seus comentários antissemitas, atribuindo seu comportamento a uma lesão cerebral não diagnosticada e a um transtorno bipolar não tratado. Ele também se desculpou por suas expressões de admiração por Adolf Hitler.
O artista de 48 anos não se apresenta no Reino Unido desde que foi a atração principal do festival de Glastonbury, em 2015. As empresas de bebidas Diageo e Pepsi, patrocinadora de longa data, informaram que retiraram o apoio ao Wireless devido à presença de Ye. O PayPal também afirmou que sua marca não aparecerá em materiais promocionais futuros do evento.
*Com informações de CNN

