O governo do Japão deve anunciar nesta segunda-feira (3) uma intervenção cambial conjunta com os Estados Unidos para conter a forte desvalorização do iene frente ao dólar. A informação foi divulgada por autoridades japonesas ouvidas pela agência Reuters e representa a primeira ação coordenada entre os dois países para sustentar a moeda japonesa desde 2011.
Segundo as fontes, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, confirmará que Tóquio e Washington atuaram conjuntamente no mercado de câmbio para interromper a queda do iene, que recentemente atingiu o menor patamar em relação ao dólar desde 1986. As autoridades afirmam que a operação ainda está em andamento e tem como objetivo combater movimentos considerados excessivos no mercado cambial.
A intervenção ocorre após sucessivas pressões sobre a moeda japonesa, impulsionadas principalmente pela diferença entre as taxas de juros dos Estados Unidos e do Japão. Enquanto o Federal Reserve (Fed) mantém uma política monetária mais restritiva, o Banco do Japão (BOJ) preservou sua taxa básica de juros na última reunião, embora tenha sinalizado a possibilidade de aumentos futuros.
Dados do Banco do Japão indicam que o governo japonês pode ter vendido cerca de US$ 59 bilhões para comprar ienes e sustentar a moeda. Paralelamente, autoridades do Tesouro dos Estados Unidos informaram bancos de Wall Street para estarem preparados para novas operações, demonstrando apoio à estratégia japonesa.
Nos últimos meses, o governo japonês vinha intensificando os alertas ao mercado sobre a possibilidade de uma intervenção. Em abril, a ministra Satsuki Katayama declarou que o país estava pronto para adotar uma “ação decisiva”, em coordenação com os Estados Unidos, caso os movimentos especulativos continuassem pressionando o iene.
Em maio, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington e Tóquio compartilhavam o entendimento de que a volatilidade excessiva no mercado cambial é indesejável e confirmou que ambos os governos mantinham contato permanente sobre o tema. Na ocasião, Bessent também declarou considerar o iene “muito desvalorizado”.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, além de estabilizar a moeda japonesa, a coordenação entre os dois países busca evitar impactos sobre os mercados financeiros globais, especialmente uma alta acentuada nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, caso o Japão precisasse vender parte de suas reservas para financiar novas intervenções.

