A Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) vai colocar o Rio Grande do Norte no mapa nacional de monitoramento ambiental de praias por meio do Projeto CoastSnap Brasil, uma iniciativa pioneira que utiliza fotos tiradas e compartilhadas por voluntários nas redes sociais. Esse é um importante instrumento para a gestão costeira e para o estímulo à chamada ciência cidadã, mobilizando a população para monitorar as praias do país com o envio de fotografias feitas a partir de pontos fixos instalados na orla.
“Ao convidar qualquer pessoa a registrar imagens e compartilhá-las em plataformas digitais, o projeto busca criar uma rede nacional de acompanhamento da linha de costa, fortalecendo o engajamento social e a cultura oceânica. Os registros fotográficos coletados ajudam os pesquisadores a analisar a variabilidade geomorfológica das praias, como processos de erosão e deposição de sedimentos, além de avaliar o papel da participação popular na produção de dados científicos”, esclarece o coordenador do projeto, Pedro de Souza Pereira, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Ao todo, 13 instituições públicas de ensino e pesquisa colaboram com o projeto, que contará com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de cidadãos potiguares e de turistas que visitam o nosso estado. Atualmente, existem estações distribuídas do Rio Grande do Sul ao Amapá. O diretor-presidente da Funpec, Aldo Dantas, destaca o ineditismo da ação: “diante da enorme extensão da costa brasileira, reunir informações sobre a linha de costa em todo o país é algo inédito e bastante desafiador. Esses dados são de suma importância não apenas para o avanço da ciência, mas também para orientar decisões que impactam diretamente a sociedade”.
“A UFSC possui papel fundamental na implementação e consolidação da metodologia CoastSnap no Brasil, contribuindo com protocolos técnicos e científicos; a UFBA coordena a expansão da rede na Bahia, promovendo a integração entre pesquisa, extensão e gestão costeira; com a entrada da Funpec/UFRN, o Rio Grande do Norte passa a integrar de forma estruturada essa rede interinstitucional, ampliando a capilaridade do projeto e fortalecendo o monitoramento sistemático do litoral potiguar”, enfatizou Arthur Antônio Machado, professor do Instituto de Geociências (IGEO) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Em recente visita ao campus central da UFBA, em Salvador, o dirigente da Funpec manteve conversas com o professor Arthur Antônio Machado, que integra a equipe de pesquisadores do projeto. Desse encontro, surgiu o interesse de adesão a essa cooperação técnica, motivada também pela expertise da Fundação, que atualmente tem o professor Aldo Dantas na coordenação das atividades do Planejamento Espacial Marinho (PEM) Nordeste.
Sobre o PEM Nordeste
O Planejamento Espacial Marinho (PEM) Nordeste mapeará os diferentes usos do oceano para potencializar a proteção e o uso sustentável de recursos em ambientes costeiros e marinhos, de acordo com as características e necessidades locais. O PEM Nordeste é coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), composta por diversos órgãos do Governo Federal, como o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), sob a direção do Comando da Marinha, por meio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM).
Trata-se de uma política pública estratégica, lançada oficialmente em maio de 2025, para organizar o uso do mar e dos espaços costeiros de forma sustentável, articulando diferentes atividades econômicas (como os setores de energia, pesca e turismo) com a conservação ambiental e a justiça social, em consonância com compromissos internacionais de gestão dos oceanos. A equipe responsável pelos estudos conta com pesquisadores da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), UFRN, UERN, UFAL, UESC, UFSB, UECE, UFC, UEPB, UFPB, UFPE, UFRPE, UFDPar, UFF, UFS e do Instituto SENAI de Inovação.

