Por Tulio Lemos
“A política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. A frase, atribuída ao político mineiro Magalhães Pinto, está cada vez mais atual na sucessão do prefeito Álvaro Dias, na capital potiguar.
O mês de janeiro do ano eleitoral começou com a retomada de conversas entre os ex-aliados Álvaro Dias e Carlos Eduardo. O processo de reaproximação foi fruto de amigos comuns, que identificaram a não viabilização da candidatura da secretária Joanna Guerra como algo negativo para o projeto político futuro do prefeito e apontaram opções. Uma delas era apoiar a candidatura do ex-prefeito Carlos Eduardo, líder em todas as pesquisas até o momento, mas isolado politicamente.
Diante da primeira opção posta, os argumentos eram de que o apoio de Álvaro a Carlos Eduardo garantiria a vitória do ex-prefeito ainda em primeiro turno, fazendo de Álvaro vitorioso em sua sucessão. Porém, foi lembrado a Álvaro que Carlos Eduardo tem um comportamento difícil e já havia provado isso quando isolou Álvaro na vice prefeitura sem respaldo e sem prestígio e não cumpriu compromissos assumidos.
Mesmo sabendo que com Carlos Eduardo se caracteriza o ‘ganha, mas não leva’, Álvaro Dias alimentou a possibilidade de apoio para não perder o protagonismo no pleito municipal e acenou com conversas mais objetivas com seu ex-aliado.
De acordo com informações de bastidores, em uma dessas conversas mais recentes, ocorrida um pouco antes do Carnaval, o cenário era propício para o fechamento da chapa e o posterior anúncio do novo quadro na eleição de Natal. Álvaro Dias e Carlos Eduardo conversaram sobre o apoio do primeiro ao segundo e os compromissos que ambos assumiriam mutuamente para o futuro.
Eis que Carlos Eduardo sai com a ‘pérola’ verbal diante de Álvaro Dias, a quem tem uma forma singular de cumprimentar: “Los Dias, você sabe que eu ganho com você ou sem você. Com você eu ganho mais fácil, mas sem você, eu também ganho a eleição”. Nesse momento, Álvaro viu todo seu potencial político e o acervo eleitoral desprezados por quem acha que é um prefeito de férias.
Aborrecido com o fato de ter sido menosprezado em sua força política, o prefeito Álvaro Dias saiu chateado do encontro com seu ex-aliado com a certeza de que não valeria a pena apostar numa candidatura que não valoriza seu peso político: “Se hoje está assim, imagina depois de eleito”, soprou um assessor na orelha do prefeito para envenenar ainda mais o gestor natalense. E funcionou.
CONVERSA COM PAULINHO FREIRE
Então, a nuvem da política mudou novamente. A partir da reunião indigesta de Álvaro Dias com Carlos Eduardo, o quadro sofreu nova alteração. Já em pleno Carnaval, Álvaro conversou com Paulinho Freire, seu aliado quando presidente da Câmara e um dos nomes citados pelo prefeito como possível candidato à sua sucessão.
Com Paulinho, a conversa foi diferente. Bem diferente. Paulinho disse a Álvaro que seu apoio é fundamental para conquistar a vitória no pleito de outubro. Álvaro gostou do que ouviu e questionou Freire sobre compromissos na gestão e também para 2026, eleição majoritária estadual. Ambos gostaram do encontro e ficaram de afinar ainda mais a parceria.
Mas há um entrave num eventual apoio de Álvaro Dias ao nome de Paulinho Freire: a indicação do vice. Álvaro quer indicar Joanna Guerra ou Irapuã Nóbrega como companheiro de chapa de Paulinho. O problema é que o senador Rogério Marinho não quer abrir mão da vaga de vice para o PL.
Essa situação ficou de ser resolvida até o final dessa semana, quando Rogério estará em Natal e vai conversar com o ex-senador José Agripino, líder do União Brasil e também com o prefeito Álvaro Dias. O senador do PL e o prefeito do Republicanos se estranharam no ano passado e houve afastamento com jeito de rompimento. Porém, em nome da vitória em Natal e de compromissos futuros, Dias e Marinho podem voltar a ser aliados. Se Rogério ceder a vaga de vice a Álvaro, faltará muito pouco para ser anunciada a primeira chapa competitiva na eleição de Natal, que teria o apoio de dois senadores, cerca de 20 vereadores, deputados estaduais e federais e pelo menos cinco partidos na largada.
A questão é que as articulações podem avançar, recuar ou mudar de rumo. Afinal, a política é como nuvem e tudo pode mudar quando você olhar novamente para o Céu da eleição de Natal. Hoje está assim. Amanhã…

