O Governo dos Estados Unidos revogou, na sexta-feira (20), as Ordens Executivas que impunham tarifas específicas contra o Brasil, que chegavam a 40%, além das chamadas tarifas recíprocas de 10% aplicáveis a diversos países e produtos.
Na mesma data, foi publicada nova Ordem Executiva estabelecendo uma tarifa global de 10% para todos os países, com exceção de determinados produtos. No sábado (21), o governo norte-americano anunciou a intenção de elevar essa alíquota para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.
Antes das alterações, cerca de 22% das exportações brasileiras destinadas ao mercado dos Estados Unidos estavam sujeitas a tarifas adicionais de 40% ou 50%. Com o novo regime, estimativas indicam que aproximadamente 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões, passam a ser alcançadas pela tarifa de 10% (ou 15%), desconsideradas eventuais sobreposições com produtos abrangidos pela Seção 232. Esses itens passam a enfrentar a mesma alíquota aplicada aos demais países.
Por outro lado, 46% das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025, cerca de US$ 17,5 bilhões, deixam de contar com qualquer tarifa adicional, em razão das exceções previstas na medida publicada em 20 de fevereiro.
Já os produtos sujeitos às tarifas impostas com base na Seção 232 permanecem inalterados. Eles correspondem a 29% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 10,9 bilhões. Trata-se de mecanismo de aplicação linear entre países, com incidência delimitada por produto e alíquotas que variam de 10% a 50%.
| Exportação para os EUA | 2025 | |
| US$ mi. | Part.% | |
| Total Geral | 37.682 | 100% |
| Produtos sem sobretaxas (excluídos da Seção 122 e não alcançados pela Seção 232) | 17.496 | 46% |
| Produtos sujeitos a sobretaxa de 10% (ou 15%) (Seção 122) | 9.248 | 25% |
| Produtos sujeitos a sobretaxas setoriais (de 10% a 50%) e não discriminatórias por origem (Seção 232) | 10.938 | 29% |
Setores impactados
O novo regime tarifário amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano. Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de até 50% e passam a competir sob alíquota uniforme de 10% (ou 15%).
Uma das principais mudanças é a exclusão das aeronaves da incidência das novas tarifas. O produto passa a contar com alíquota zero para ingresso no mercado dos EUA — antes sujeita a 10%. As aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.
No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10% (ou 15%), competindo em condições equivalentes às de outros fornecedores internacionais.
Balança comercial
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 82,8 bilhões, valor 2,2% superior ao registrado em 2024. As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

