Os enredos das escolas de samba têm se consolidado como fontes ricas de memória, identidade e crítica social, elementos que podem ser utilizados como repertório sociocultural na redação do Exame Nacional do Ensino Médio, mostrando a influência do Carnaval em diversos âmbitos. Para especialistas, observar o que acontece na avenida ajuda o estudante a construir argumentos mais consistentes, contextualizados e conectados à realidade do país.
A consagração da Viradouro em 2026, com homenagem ao mestre Ciça e à tradição das baterias, mostra como saberes populares e trajetórias historicamente invisibilizadas ganham protagonismo cultural. Para o professor Sérgio Lima, especialista em argumentação e redação, esse tipo de narrativa dialoga diretamente com os critérios de avaliação da prova. “O exame valoriza repertório pertinente e bem aplicado. Não é só citar teorias clássicas. A cultura brasileira, o samba e as manifestações populares também são referências legítimas que fortalecem a argumentação”, afirma.
O professor Disney, doutor em Educação e professor de Arte, explica que os desfiles funcionam como espaços de produção de conhecimento. Segundo ele, quando a escola transforma a história de ritmistas, artistas e comunidades em enredo, legitima experiências que muitas vezes ficam fora dos livros didáticos. “Quando essas histórias ganham a avenida, elas educam. Esse material é repertório sociocultural válido e pode sustentar discussões sobre desigualdade, identidade e inclusão social”, destaca.
Outras escolas também apresentaram temas que dialogam diretamente com debates recorrentes nas propostas de redação. A Unidos da Tijuca levou à avenida a trajetória de Carolina Maria de Jesus, associando literatura periférica, pobreza e invisibilidade social, o que permite discutir representatividade, lugar de fala e acesso à produção cultural. Já a Acadêmicos do Grande Rio destacou o movimento Manguebeat, surgido em Recife, misturando maracatu, rock e hip-hop com críticas sociais e ambientais, repertório útil para abordar globalização, regionalismo e resistência cultural de forma contemporânea.
A Imperatriz Leopoldinense, ao homenagear Ney Matogrosso, e a Mocidade Independente de Padre Miguel, ao celebrar Rita Lee, ampliaram discussões sobre liberdade de expressão, identidade de gênero, protagonismo feminino e arte como forma de contestação social. Para o professor Disney, essas narrativas mostram que figurino, performance e corpo também comunicam ideias e podem ser analisados como linguagem.
Para o professor Sérgio Lima, os desfiles podem ser compreendidos como grandes textos multimodais que combinam música, história, literatura, política e artes visuais ao mesmo tempo. Ele defende que essa leitura interdisciplinar aproxima o estudante do tipo de interpretação exigido na prova. “O Carnaval é intertextualidade em movimento. Quem aprende a relacionar esses elementos consegue produzir uma redação mais crítica, original e consistente.”

Os professores orientam que, ao utilizar o Carnaval como repertório, o candidato cite o contexto do enredo, explique o significado social do tema e relacione a discussão ao problema proposto na prova. Essa estratégia demonstra domínio cultural, repertório pertinente e capacidade de análise, critérios que pesam diretamente na nota final.
Mais do que espetáculo, o Carnaval se consolida como fonte legítima de conhecimento e pode ser um diferencial decisivo para estudantes que buscam melhorar o desempenho e conquistar uma nota alta ou até a nota 1000 na redação do ENEM.

