Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta terça-feira (28), a saída oficial da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da aliança Opep+, gerando um grave impacto na economia de energia mundial.
A decisão histórica, noticiou o portal NDMais, foi motivada pelo desejo de aumentar a produção doméstica sem as restrições de cotas impostas pelo cartel e entrará em vigor no mês que vem.
O desligamento ocorre em meio aos conflitos militares com o Irã que paralisaram o Estreito de Ormuz, impulsionando a necessidade de maior autonomia energética e uma estratégia econômica focada em investimentos independentes a longo prazo pelo país árabe.
A saída de um membro tão antigo e influente expõe fraturas internas no grupo e representa um golpe severo à liderança da Arábia Saudita, líder de fato da organização.
As autoridades emiradenses consideravam, há algum tempo, que as rígidas limitações na extração impostas pela Opep prejudicavam injustamente sua capacidade de suprir a demanda global.
Agora, a nação poderá acelerar seus investimentos internos com flexibilidade e responder rapidamente às necessidades do mercado internacional para mitigar choques em um período de inflação de preços.
Segundo a Reuters, além das severas divergências econômicas sobre o fluxo do petróleo, a ruptura possui um forte e sensível viés diplomático. Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados, criticou recentemente a falta de firmeza dos aliados árabes contra os seguidos ataques iranianos a navios na região.
O anúncio do desligamento coincide de forma contundente com uma cúpula de líderes no Golfo, na cidade saudita de Jidá, onde o foco principal era justamente debater a segurança e combater a atual crise diplomática no Oriente Médio.
No cenário geopolítico internacional, o esvaziamento da influência da Opep é considerado uma vitória política e diplomática significativa para os Estados Unidos.
O atual presidente americano, Donald Trump, tem acusado repetidamente o cartel de manipular e inflar artificialmente os preços do petróleo, encarecendo os combustíveis e prejudicando os consumidores ao redor de todo o mundo.
O movimento dos Emirados Árabes diminui a capacidade da Opep de controlar e ditar os preços do mercado, beneficiando países ocidentais que buscam cadeias de suprimento mais abertas.

