Na X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, realizada neste sábado (21), em Bogotá, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentou aos líderes o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto destacou a necessidade de fortalecer o bloco como forma de evitar que a região seja tratada como zona de influência internacional.
“Mas a América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, afirmou o presidente no discurso. Segundo Lula, a união regional é fundamental para enfrentar crises globais. “Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A CELAC representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional”, destacou.
O encontro ocorre em um contexto de desafios para a região, marcado pelo aumento da polarização e por pressões externas. Durante a cúpula, a Colômbia transferiu a presidência pro tempore da organização para o Uruguai.
Combate ao crime e defesa da democracia
No discurso, Vieira enfatizou que a desarticulação regional favorece o avanço do crime organizado e defendeu maior cooperação entre os países. O texto aponta que o enfrentamento às organizações criminosas deve atingir toda a cadeia de comando, especialmente os níveis mais altos.
“Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Só o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, diz o documento.
O presidente também mencionou o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do governo brasileiro voltada ao combate às facções criminosas. A proposta prevê ampliar instrumentos legais para investigações, enfraquecer o financiamento dessas organizações e reforçar a atuação da Polícia Federal em casos interestaduais e internacionais.
A defesa da democracia foi outro ponto central. Lula alertou para os impactos de campanhas de desinformação e do uso de tecnologias, como a inteligência artificial, na manipulação do debate público. “A manipulação de algoritmos e a produção de conteúdos falsos por inteligência artificial distorcem a realidade e desequilibram o jogo político”, afirmou.
Integração e desenvolvimento regional
O discurso também ressaltou o apoio do Brasil à presidência colombiana da CELAC e incentivou a ampliação de parcerias com outros atores globais, como China, União Europeia e países africanos. Lula destacou o potencial econômico da região, rica em energia, biodiversidade e agricultura.
Entre os temas estratégicos, o presidente destacou a importância dos minerais críticos, essenciais para tecnologias como chips, baterias e painéis solares. Segundo ele, a América Latina deve participar de todas as etapas da cadeia produtiva, da extração ao produto final.
“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas”, afirmou.
O texto também abordou questões sociais, como o envelhecimento da população e a necessidade de garantir aposentadoria digna, além da importância de políticas públicas voltadas ao bem-estar das famílias.
Infraestrutura e comércio
Lula defendeu ainda a ampliação da integração física e energética da região, com a criação de rotas que conectem o Atlântico ao Pacífico e uma rede elétrica interligada. Segundo o presidente, essas medidas são essenciais em um cenário global de instabilidade no fornecimento de insumos.
Por fim, o discurso destacou a necessidade de fortalecer o comércio intrarregional, que atualmente representa apenas 14% do total. “Para reverter esse quadro, precisamos incentivar a internacionalização das nossas empresas”, concluiu.

