“É estranho que alguém ache razoável gastar R$ 25 milhões para transferir um engarrafamento de um sinal para outro, quando tantas saídas podem ser estudadas, como a mudança na temporização dos semáforos ou implementação de binários nas avenidas da cidade”, argumentou o vereador de Natal Daniel Valença (PT), ao falar sobre o projeto da Prefeitura Municipal para a construção de uma trincheira entre as avenidas Hermes da Fonseca e Alexandrino de Alencar, com o objetivo de desafogar o trânsito no local, durante audiência pública na Câmara Municipal nesta terça-feira (6).
Para o vereador, a Prefeitura não tem argumentos para defender a proposta, nem o menor zelo pela transparência e pela participação popular. “A audiência confirmou o que imaginávamos: Álvaro Dias quer fazer a obra de maneira autoritária. Não apresentou nenhum argumento que prove que essa obra é necessária para a população. É uma obra caríssima que não resolverá a questão do trânsito, porque vai gerar gargalos. Não à toa, foi unanimemente repudiada pelos moradores e moradoras do bairro, além da associação de ciclistas”, afirmou.


Segundo Valença, os R$ 25 milhões poderiam ser destinados para melhorar a mobilidade urbana do município. “É um consenso que trincheiras são obras ultrapassadas, inimigas do transporte coletivo, devastadoras da circulação pedestre e do meio ambiente. O secretário adjunto da STTU (Paulo Barra) afirmou que o projeto já teria sido debatido e aprovado no conselho de mobilidade e que não era uma ‘minoria barulhenta’ que iria inviabilizá-la. Até os vereadores da situação colocaram a necessidade de a Prefeitura recuar e desistir da obra”.
A deputada federal Natália Bonavides (PT), que também participou da audiência pública e integra a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara Federal, se comprometeu em ir ao Ministério das Cidades para assegurar que os R$ 25 milhões sejam garantidos para o município de Natal, mas para obras e políticas que realmente contribuam para a mobilidade urbana e o direito à cidade da classe trabalhadora.
“As pessoas que vivem na nossa cidade foram excluídas pela Prefeitura de opinar sobre uma obra que vai impactar todas as zonas de Natal. Queremos pensar em alternativas, numa solução que não deixe o povo de fora. Coloquei nosso mandato à disposição da Prefeitura para irmos ao Ministério das Cidades, pensar em opções alternativas, assegurando que os R$ 25 milhões que seriam para essa obra, continuem no município e sejam investidos em ações de mobilidades mais adequadas e menos caras”.
POPULAÇÃO REAGE: “OBRA DESNECESSÁRIA”
O projeto da Prefeitura de Natal, cuja construção já está licitada conforme o Diário Oficial do Município, prevê que os veículos vindos da avenida Alexandrino de Alencar passem por baixo da avenida Hermes da Fonseca. No entanto, moradores e comerciantes da região se posicionaram contra, alegando que os túneis causarão graves impactos arquitetônicos, criando ambiente hostil ao comércio e à circulação de pessoas e bicicletas.
Moradora da região, a advogada Tatiana Mendes Cunha classificou a obra como “desnecessária” e afirmou que o congestionamento no local, nos horários de pico, não justifica a obra, “que vai provocar a deterioração da região, o que já aconteceu em várias outras partes de Natal, onde esse tipo de intervenção urbana foi feito. Traz prejuízo para o entorno dela e para toda vida econômica da cidade. É boa para carro, mas não é boa para as pessoas”, concluiu.

