O jornalista Cassiano Arruda Câmara detém em sua bagagem histórias que envolvem política, literatura e uma vasta paixão por jornalismo, com memória e fatos que perpassam o tempo. Dentre suas andanças e compromissos, uma viagem a Lisboa no aniversário de um amigo muito querido foi o ponto-chave para que ele percebesse que estava ficando muito cansado e exaurido. Rindo, ele recorda que a situação o fez descobrir que era um idoso naquele momento. De volta a Natal, Cassiano resolveu fazer exames. “Quando eu voltei de Portugal eu tinha feito um check-up nesse padrão, aquela soma de exames, de urina, de fezes e quando eu fiz esse exame de ‘PSA’ que indica alternância na próstata, apontou que eu estava com PSA alto, 10 pontos, foi a única coisa que deu fora do limite”.
Por meio do diagnóstico, Cassiano ressalta que reuniu os médicos de sua família em uma junta para debater a doença, com um irmão urologista e o outro cardiologista, junto a seu sobrinho Paulo, também médico. A cirurgia de próstata chegou a ser estimulada durante a reunião familiar, mas seu sobrinho o fez mudar de ideia por meio de estudos e pesquisas, fazendo-o abandonar a ideia de cirurgia e recorrer à radioterapia. “Ele me disse: tio, não é por aí, não… o senhor não tem que debater nada de técnica cirúrgica ou tratamento, a primeira coisa que o senhor tem que compreender é que tem 79 anos de idade, qualquer ação invasiva é perigosa para você”.
Cassiano Arruda relata que essa sugestão e choque de realidade de seu sobrinho, o fez decretar uma decisão crucial: “Não tive dúvida nenhuma de que ao invés de cirurgia, meu caminho era fazer radioterapia”.

Após o diagnóstico ele precisou fazer um exame chamado Petscan que consiste em um exame de diagnóstico por imagem que detecta possíveis tumores em várias partes do corpo, também nome de “PET-CT’’, uma sigla inglesa que significa “tomografia por emissão de pósitrons” (partícula radioativa), e CT vem de “tomografia computadorizada. Ele buscou tratamento no hospital Sírio Libanês, mas ao voltar e conversar com a equipe da Liga Contra o Câncer, Cassiano recebeu outro tipo de tratamento. “A Liga é uma referência, não apenas no Nordeste, tem um pessoal da melhor qualidade e tem uma coisa que eu não encontrei no Sírio Libanês: calor humano”.
O tratamento durou um mês, com 20 sessões, e o jornalista conta que durante o processo, não sofreu com os efeitos colaterais, não teve dores de cabeça, não teve absolutamente nada, mas que a dieta sem glúten e sem lactose foi um desafio.
Ao falar de calor humano, o jornalista mantém a amizade com membros da equipe de funcionários da Liga Contra o Câncer, que os recebe em sua casa com muito carinho, uma amizade que surgiu na doença e se propagou como bons frutos da relação.
Cassiano conta que durante os encontros sociais, bebia suco de uva em taças de vinho e fingia que era o mesmo conteúdo das pessoas à mesa, para manter o bom humor entre os jantares.
Durante a conversa com a equipe do Diário do RN, o computador estava ligado, com trechos de uma coluna semanal que ele ainda mantém na Tribuna do Norte e de um trabalho que ainda estava sendo finalizado. No conforto de seu lar, Cassiano ainda se mantém ativo em seu trabalho na ART & C e não perde o ritmo quando o assunto é a profissão.
Mas, um segmento o fez lidar melhor com o diagnóstico. Cassiano ressalta que a família é fundamental neste período. O neto ia acompanhá-lo nas sessões de radioterapia e os filhos deram apoio indispensável para o processo, que ainda é vivenciado todos os dias: “Família é tudo, família é fundamental. Não posso dizer que estou curado, mas tudo tem uma reação, ele não teve nada, mas precisou utilizar uma ‘bolsa de urina’ que em breve será retirada.
Em sua trajetória, Cassiano Arruda Câmara traça uma história no jornalismo que perpassa 60 anos, dentre programas televisivos, jornais impressos, colunas, ele nunca parou de trabalhar e mesmo hoje, ainda trabalha e executa o máximo que pode de suas funções, o jornalismo é em sua vida, uma paixão imensurável.
Prevenir é o melhor remédio
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens e é considerado um câncer da terceira idade, já que 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos. No entanto, este estigma já foi deixado para trás, pois o aumento nos casos detectados no Brasil também se dá por meio dos avanços dos diversos métodos diagnósticos. De acordo com o INCA, são esperados 704 mil casos novos de câncer para o triênio 2023-2025. Excetuando o câncer de pele não melanoma, ocorrerão 483 mil casos novos. O câncer de mama feminina e o de próstata foram os mais incidentes com 73 mil e 71 mil casos novos, respectivamente.
A urologista Andrezza Sanny, ressalta que o ditado popular “é melhor prevenir do que remediar” se aplica muito bem à prevenção ao câncer de próstata, pois existem exames de rastreamento para a detecção e diagnóstico precoce quando o homem é acometido por essa doença: “Muitas vezes por falta de informação, preconceito ou vergonha, o paciente não busca ativamente o médico urologista para a realização desses exames ou check-up de rotina. No entanto, atualmente, graças à difusão das informações, de acesso mais facilitado a campanhas de conscientização, esse quadro vem mudando. Existem exames simples que é necessário serem realizados na população masculina para esse rastreamento ativo do câncer de próstata. São eles o Exame Sanguíneo do PSA e o Toque Retal”.
A urologista ressalta que é importante os homens começarem a realizar exames periódicos, conforme a Sociedade Brasileira de Urologista orienta, caso na família haja histórico familiar com parentes que já foram acometidos pela doença, aos 45 anos é recomendado ter mais atenção à doença, o restante da população sem histórico, pode começar a prevenção aos 50 anos: “Muitas vezes, a maioria das vezes em que o paciente pode apresentar alguma alteração nesses exames, o câncer de próstata é silencioso, ele não costuma evidenciar sintoma nenhum, por isso é importante realizar exames periódicos, quando diagnosticado existe tratamento precoce, as taxas de cura passam dos 90% a 95% e o tratamento vai ser indicado, vai desde à cirurgia a outras modalidades”.

