O tratamento contra o câncer infantil exige uma atenção que vai além da aplicação de medicamentos. Na oncologia pediátrica, o cuidado farmacêutico tem papel estratégico para garantir a segurança dos pacientes, acompanhar possíveis efeitos adversos e oferecer suporte às famílias durante uma fase marcada por desafios.
Na Casa Durval Paiva, instituição que atende crianças e adolescentes em tratamento oncológico no Rio Grande do Norte, o farmacêutico atua diretamente no acompanhamento dos pacientes, contribuindo para que a terapia seja realizada de forma mais segura e humanizada.
Segundo a farmacêutica Isabelle Resende, responsável pelo setor na instituição, o trabalho envolve o monitoramento constante de interações medicamentosas e de possíveis toxicidades que podem afetar órgãos vitais, especialmente porque o organismo infantil ainda está em desenvolvimento.
“O cuidado farmacêutico na oncologia pediátrica transcende a entrega de medicamentos; ele é o elo vital, que une o rigor científico ao acolhimento humanizado, garantindo que o tratamento de uma criança seja tão seguro quanto eficaz”, explica.
Além do acompanhamento técnico, o profissional também tem uma função educativa junto aos familiares e responsáveis. A equipe orienta sobre o uso correto das medicações, esclarece dúvidas sobre as prescrições e desenvolve estratégias para facilitar a adesão das crianças ao tratamento.
A farmacotécnica também é utilizada como ferramenta para adaptar medicamentos às necessidades dos pacientes pediátricos. Um exemplo é a transformação de comprimidos em soluções com sabores mais aceitáveis, reduzindo dificuldades na administração e tornando o processo menos traumático para a criança.
“O farmacêutico traduz prescrições complexas em orientações compreensíveis, desenvolve estratégias lúdicas para facilitar a adesão e utiliza a farmacotécnica para adaptar medicamentos”, destaca Isabelle.
Apoio contínuo às famílias
Na Casa Durval Paiva, a atuação do farmacêutico acompanha diferentes etapas do tratamento. O profissional também participa da organização da farmácia interna, do armazenamento adequado dos medicamentos e da orientação aos acompanhantes.
O acompanhamento busca garantir que a transição entre o hospital e a casa de apoio aconteça com continuidade e segurança, evitando interrupções no tratamento e auxiliando as famílias no manejo dos medicamentos.
Além da atuação técnica, o farmacêutico participa de atividades multidisciplinares e ações educativas que ajudam a tornar o tratamento mais compreensível para crianças e familiares.
“Esse cuidado transforma o tratamento em um pilar de esperança e segurança para o paciente”, reforça a farmacêutica.

