A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) consolidou o modelo como uma política pública de inclusão e alcance nacional. Dados apresentados nesta terça-feira (17) pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apontam que 40,5% das pessoas aprovadas ingressaram por meio de políticas de cotas, evidenciando o avanço na representatividade social dentro do serviço público federal.
Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o concurso aprovou 3.649 candidatos de 578 municípios, abrangendo todos os estados do país. O resultado reforça a proposta de ampliar a diversidade regional e democratizar o acesso às carreiras públicas.
Segundo a ministra, o CPNU integra uma agenda mais ampla de transformação do Estado, que reúne mais de 50 medidas estruturantes implementadas desde 2023. “Essa segunda edição consolida o CPNU como uma política pública inclusiva a partir da qual estamos construindo um serviço público com a cara do Brasil”, afirmou.
Entre os destaques, a participação de aprovados do Nordeste cresceu, passando de 26% na primeira edição para 29,3% no CPNU 2. A distribuição regional ficou concentrada no Sudeste (34,5%), seguido por Nordeste (29,3%), Centro-Oeste (25,3%), Sul (5,7%) e Norte (5,2%). As provas foram realizadas em 228 cidades, com candidatos aprovados em 196 delas, o que evidencia a capilaridade do modelo.
No recorte de diversidade, além dos 40,5% de aprovados por cotas, o perfil inclui 29,7% de pessoas negras, 2% indígenas, 1,2% quilombolas e 7,6% de pessoas com deficiência. Para o governo federal, os números indicam mudança no perfil do funcionalismo público, tornando-o mais representativo da população brasileira.
A presença feminina também avançou. As mulheres representam 48,4% das pessoas aprovadas — aumento significativo em relação aos 37% registrados na primeira edição. Entre os inscritos, elas foram maioria, com 60% das candidaturas.
De acordo com Esther Dweck, o CPNU faz parte de um esforço de recomposição da força de trabalho do Estado. Entre 2023 e março de 2026, 19.381 pessoas ingressaram no serviço público federal por meio do CPNU e outros concursos, enquanto 16.546 servidores se aposentaram. A expectativa é que mais 70 mil aposentadorias ocorram entre 2026 e 2030.
A ministra destacou ainda que o processo foi conduzido dentro dos limites fiscais. Segundo ela, não houve aumento da despesa com pessoal em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), mantendo crescimento real médio abaixo de 2,5%.
Evolução do modelo
A comparação entre as duas edições do concurso aponta avanços estruturais. O número de órgãos participantes subiu de 21 para 32, indicando maior adesão institucional ao modelo unificado. Já o total de inscritos passou de 2,1 milhões no CPNU 1 para 761,5 mil na segunda edição, ainda um volume expressivo em escala nacional.
Também houve crescimento na participação de grupos historicamente sub-representados. Entre os inscritos, a presença de pessoas negras aumentou de 18,8% para 27,7%, enquanto a adesão às vagas por cotas subiu de 21,5% para 33,1%.
Próximas etapas
Com a divulgação do resultado final na segunda-feira (16), o CPNU 2 entra agora na fase de convocação e cumprimento das etapas administrativas. O cronograma inclui procedimentos como investigação social, cursos de formação e entrega de documentação, até a nomeação dos aprovados.
O modelo de concurso unificado, segundo o governo, deve continuar sendo utilizado como estratégia para modernizar o ingresso no serviço público, ampliar o acesso e fortalecer a capacidade do Estado de responder às demandas da sociedade.

