O PSTU não tem tempo de TV e nem fundo eleitoral, por não ter alcançado a cláusula de desempenho na última eleição. Mesmo assim, foi o primeiro partido com projeto à majoritária natalense a realizar convenção partidária. Na última sexta-feira (26), no auditório do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), na Cidade Alta, o partido homologou a candidatura de Nando Poeta (PSTU) e Tiago Silva (PSTU) a prefeito e vice-prefeito de Natal, além das chapas à Câmara Municipal da capital.
A chapa pretende unir a experiência de Nando, sociólogo, professor, cordelista e militante socialista há mais de 30 anos, e a juventude de Tiago Silva, jornalista e estudante de teatro, para “construir uma candidatura de independência de classe, popular e socialista”. “A maioria dos governos que já passaram não resolveram esse problema social, está aí o debate de moradia, tá aí a questão do transporte coletivo, a questão da educação, da saúde, agora a gente está vendo a explosão do meio ambiente, a questão aqui da orla de Natal. Quando a população se move se organiza a gente pode impor derrotas aqueles que querem inclusive atacar direitos básicos e sociais nossos”, explica o candidato a prefeito.
“Recentemente o prefeito Álvaro Dias falou em privatizar nosso teatro Sandoval Vanderlei e o nosso mercado da redinha ele quer entregar para a iniciativa privada por meio das parcerias público-privadas. E a gente entende que esses são mecanismos de privatização e que vão totalmente de encontro aos interesses da classe dos trabalhadores que estão ali e que precisam”, reitera Tiago Silva.
Já o presidente estadual do PSTU, Dario Barbosa, aponta a impossibilidade do PSTU andar ao lado do PT nas eleições porque o PT “há muito tempo abandonou a classe trabalhadora”.
“Você veja no Congresso Nacional, os mesmos partidos que apoiaram Bolsonaro para poder governar são os mesmos partidos de direita, de centro direita, de ultradireita, que apoiam hoje o governo Lula. Então por isso que não dá para nós, o PSTU, que queremos governar para a nossa classe trabalhadora, para os mais pobres, fazer aliança com um partido que retira dinheiro dos cofres públicos, da saúde, da educação, para privilegiar os banqueiros”.
O dirigente complementa: “O Haddad faz uma defesa da economia, onde quem ganha mais são os ricos e os grandes empresários e o Lula faz outro discurso, em ajuda aos pobres. Então, é uma tática, um ajuda os banqueiros e o outro diz que ajuda os pobres”.
Para driblar a pouca estrutura partidária, em detrimento das candidaturas com recursos, o PSTU pretende utilizar a redes sociais e o “corpo a corpo” com a população. O financiamento, segundo os candidatos, deve vir da própria militância.
“Nós temos uma visão que nós estamos num jogo que não é democrático. Um processo eleitoral extremamente desigual, onde não temos tempo de TV, não temos recurso financeiro de forma igualitária. Isso será uma dificuldade para que a gente possa apresentar e debater nossas ideias, mas nós vamos fazer um esforço muito grande para chegar junto a população, principalmente a classe trabalhadora”, ressalta Nando.
Duas candidaturas a vereador
Para a Câmara Municipal, pela primeira vez, o PSTU vai oficializar uma candidatura coletiva, composta por três militantes do partido: o servidor do Detran e pré-candidato a vereador Alexandre Guedes encabeça o coletivo, composto também pela indígena e técnica de enfermagem, Érica Guarani, e pelo professor, José Jairan. Além disso, a professora Luciana Lima, que milita no movimento de mulheres contra o machismo, é a outra pré-candidatura que vai disputar uma vaga na Câmara de Vereadores.
Luciana Lima foi indicada inicialmente para compor a chapa majoritária como candidata a vice, mas a cota de gênero imposta pela legislação eleitoral a levou para a disputa proporcional. De acordo com os membros do partido, a chapa do PSTU para o legislativo municipal também expressa a diversidade socialista.
“Primeiro houve uma questão legal que exige que tenha pelo menos duas candidaturas a vereador em cada cidade. E aí uma delas chega uma candidatura feminina. Represento as mulheres, a categoria dos profissionais da educação e estou presente nas lutas feministas da cidade, estou sempre nas atividades discutindo, dando a minha contribuição, construindo junto com as mulheres”, observa Luciana.

