O Rio Grande do Norte reafirma sua posição como um polo de excelência científica global. O Dr . Farinaldo Queiroz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acaba de ser laureado com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel, concedido pela Fundação Alexander von Humboldt, da Alemanha. A honraria é um dos reconhecimentos mais seletos da academia mundial, destinado a pesquisadores cujas trajetórias já causaram impacto duradouro em suas áreas de atuação e que prometem novos saltos no conhecimento científico.
De acordo com a Fundação Humboldt, o prêmio é dedicado exclusivamente a “acadêmicos internacionalmente renomados, em reconhecimento às suas realizações excepcionais em pesquisa”. Mais do que um troféu pelo passado, a distinção projeta pesquisadores que, como o professor Farinaldo, demonstram uma expectativa fundamentada de futuras descobertas que transponham as barreiras de seu campo imediato.
O foco da pesquisa premiada reside em uma das questões mais intrigantes da física moderna: de que é feito o universo? Enquanto o hidrogênio e outros elementos químicos conhecidos compõem tudo o que vemos — de estrelas a seres humanos —, existe uma substância invisível e muito mais abundante chamada Matéria Escura.
“Sabemos que o hidrogênio tem um elétron e um próton. Entretanto, não sabemos do que a Matéria Escura é feita”, explica o pesquisador. Sua missão é utilizar os dados do CERN (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear), o maior laboratório de física de partículas do mundo, situado na fronteira entre a Suíça e a França, para “desvendar os ingredientes” dessa matéria misteriosa. A relevância do tema é tamanha que, em 2019, estudos sobre o assunto foram coroados com o Prêmio Nobel de Física.
Apesar de abstrata, a busca por Matéria Escura no LHC/CERN gera benefícios sociais imediatos. As inovações na detecção de partículas invisíveis são aplicadas em: Tecnologia da Informação (armazenamento de dados); Saúde (diagnóstico por imagem, terapias e dosimetria); e Sustentabilidade (softwares e equipamentos para monitoramento e previsão climática).
A conquista do prêmio Friedrich Wilhelm Bessel não é um fato isolado, mas fruto de um fortalecimento institucional. Em 2023, sob o impulso de sua produção científica, a UFRN tornou-se a primeira universidade do Norte-Nordeste a se tornar membro oficial do CERN.
Esse “ousado passo”, como descreve o professor, garante o suporte necessário para que cientistas brasileiros acessem infraestruturas de ponta. “O apoio institucional tem sido fundamental. Isso nos permite realizar simulações computacionais de alto desempenho, que são necessárias para realizar esse tipo de pesquisa”, destaca Queiroz.
Com o reconhecimento da Fundação Humboldt, a ciência produzida na UFRN consolida-se na vitrine internacional, provando que as respostas para os maiores enigmas do cosmos estão sendo escritas, também, em solo potiguar.

