A indústria automotiva chinesa entrou em uma nova fase em que carros deixam de ser apenas máquinas para se tornarem sistemas inteligentes guiados por software. No Auto China 2026, em Pequim, o destaque já não são só novos modelos, mas veículos movidos por inteligência artificial, com velocidade, decisões e funções internas controladas por chips.
A maior edição do evento reúne mais de 2.000 empresas de 21 países e regiões, com 1.451 veículos expostos, 181 estreias globais e 71 carros-conceito, um recorde, segundo o China Daily. Mais de 60% dos lançamentos são de marcas chinesas, o que evidencia o protagonismo do país na transformação tecnológica do setor.
Menos design e mais tecnologia
Por trás dos números, o que se vê é uma mudança estrutural. Se antes as montadoras competiam por design e desempenho mecânico, agora disputam espaço por arquitetura de software, capacidade de processamento e integração de sistemas.
A evolução de baterias, motores e eletrônica reduziu diferenças técnicas tradicionais e abriu caminho para a corrida por quem tem a melhor inteligência embarcada.
Pilhas e baterias mais tecnológicas
Nos pavilhões dominados por gigantes locais como Chery, Geely e BYD, o foco está nas chamadas ‘pilhas tecnológicas’, que combinam eletrificação, conectividade e inteligência artificial. A Geely, por exemplo, apresenta seu sistema de IA de domínio completo 2.0, enquanto a Roewe, da SAIC, aposta em aplicações inteligentes desenvolvidas em parceria com a Volcano Engine.
A Huawei também reforça essa tendência. A empresa, que expandiu sua atuação para chips e carros conectados, aparece pela primeira vez no salão como um conjunto independente de marcas automotivas, exibindo novos modelos integrados ao seu ecossistema de cockpit inteligente baseado no Harmony.
A companhia anunciou ainda que pretende investir mais de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para ampliar a capacidade de computação voltada à direção inteligente.
Na prática, essa transformação significa que os veículos estão deixando de ser apenas conectados à internet para se tornarem plataformas com capacidade de ‘raciocínio’. A inteligência artificial passa a comandar desde a condução até interações cotidianas dentro do carro.
Segundo a Reuters, a Xpeng já testa sistemas que permitem comandos mais naturais, como pedir ao carro para ‘estacionar perto da entrada do shopping’, sem a necessidade de selecionar um ponto específico no mapa. Os veículos da marca utilizam câmeras para navegar mesmo sem mapeamento prévio ou coordenadas definidas.
IA como “cérebro” do carro: veículos passam a tomar decisões de condução e operação com base em inteligência artificial embarcada.
Arquitetura centralizada por chips: sistemas antes separados são unificados em plataformas de computação central, controladas por software.
Comandos naturais e interação avançada: motoristas podem falar com o carro de forma intuitiva, sem depender de comandos técnicos ou mapas.
Integração de funções no ecossistema digital: carros executam tarefas do dia a dia, como reservas, compras e organização pessoal.
Personalização baseada em comportamento: sistemas detectam emoções e hábitos do motorista para ajustar ambiente, direção e experiência.
Direção inteligente sem dependência de mapas: uso de câmeras e IA permite navegação mesmo sem rotas previamente mapeadas.
Software como diferencial competitivo: a disputa entre montadoras migra do hardware para sistemas, IA e identidade tecnológica.
A Xiaomi, que entrou no mercado de elétricos há três anos, também acelera nesse campo. A empresa lançou um modelo atualizado com IA equipado com o sistema HyperOS, capaz de executar tarefas complexas durante a condução, como fazer reservas em restaurantes, pedir café ou organizar anotações.
O sistema ainda consegue identificar sinais de estresse do motorista e ajustar automaticamente iluminação e música ao se aproximar de casa.
Em todo o evento, tecnologias como direção inteligente, cockpits conectados e integração de modelos de linguagem avançados deixam de ser recursos isolados e passam a funcionar de forma integrada. O carro agora é definido menos por suas peças físicas e mais pelo software que o governa.
A tendência indica que a próxima geração de veículos elétricos será marcada por chips e algoritmos tanto quanto por motores e baterias, tendo a China como um dos principais centros dessa revolução. Com informações do Correio 24h.

