Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, morreu na noite desta quarta-feira (4). Ele estava internado num hospital em Belo Horizonte após ter atentado contra a própria vida enquanto estava sob custódia da PF (Polícia Federal). As informações são da CNN.
Preso na manhã de hoje no âmbito da Operação Compliance Zero, Mourão era réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Quem era “Sicário”?
Nas investigações da Polícia Federal, foi constatada a existência de um grupo chamado de “A Turma”, do qual Vorcaro e Luiz Mourão faziam parte.
Segundo a PF, “Sicário” era responsável pela “coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo”.
A corporação aponta que o homem realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Conforme a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do MPF (Ministério Público Federal), e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol.
Luiz Mourão também teria atuado em ações voltadas para remoção de conteúdos e perfis em plataformas, com o objetivo de obter dados de usuários ou tirar de circulação possíveis críticas ao grupo. Ele ainda teria papel de coordenação e mobilização das equipes responsáveis pelas ações da organização.
A PF diz ainda que Luiz Mourão também atuava para intimidar antigos funcionários do Master e levantar dados sobre essas pessoas.
Em uma das situações, “Sicário” estaria envolvido em uma conversa com Vorcaro na qual o banqueiro pedia para organizar um assalto e “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Agiotagem
A CNN Brasil confirmou com o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) a denúncia do órgão contra Luiz Mourão, que teria movimentado R$ 28 milhões em contas bancárias de empresas ligadas a ele num esquema de pirâmide financeira. As ações ocorreram entre junho de 2018 e julho de 2021. O objetivo seria atrair investidores.
Ele é réu em uma ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais, que investiga suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra a economia popular.
“A triangulação de valores através de pessoas jurídicas constitui movimento típico de lavagem de dinheiro, in casu com a ocultação dos valores provenientes, direta ou indiretamente, dos crimes contra a economia popular perpetrados”, diz a denúncia.
As investigações também apontam que, antes de integrar o suposto esquema de pirâmide, Luiz Mourão atuava como agiota. No fim do ano passado, o setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou o celular apreendido do acusado e concluiu que ele exercia papel de destaque na organização.
“A análise do aparelho celular pertencente a Luiz Phillipi Machado Mourão, identificado em conversas, revelou elementos que corroboram a investigação, mesmo diante de tentativas de ocultação de provas por meio da exclusão de conversas. O conteúdo extraído indica que o investigado exercia papel central e de liderança em uma organização criminosa, coordenando a atuação dos demais integrantes e gerenciando atividades ilícitas”, diz um trecho do relatório de inteligência.
Conforme a apuração, o cúmplice de Vorcaro “exercia posição de chefia na organização criminosa, coordenando as ações dos demais membros e administrando as atividades ilícitas do grupo”, termina o relatório.
A defesa de Sicário informou que ele não apresentou ao longo do dia sinais “aparentes de comprometimento de suas condições físicas ou psíquicas”. “A defesa tomou conhecimento, posteriormente, somente após a divulgação de nota oficial atribuída à Polícia Federal, de notícia acerca do incidente, ao qual se atribuiu possível relação com tentativa de autoextermínio”, informou.

