Por Alessandra Bernardo
“Quem lançou minha suposta candidatura foram meus adversários. Eu não me lancei hora nenhuma, mas assumo o compromisso de, no dia 30 de março, dizer minha decisão, porque ninguém pode ser candidato de si próprio”, afirmou o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado (PSD). Ele revelou as perspectivas políticas do partido para as eleições de outubro e rebateu as declarações do presidente estadual do PP, deputado federal João Maia, seu cunhado, que afirmou que Jaime não apoia a reeleição de Eraldo Paiva (PT) em São Gonçalo do Amarante “porque gosta do poder”.
“Não tenho nada para dizer contra João Maia. Sempre me ajudou, eu sempre ajudei, todas as eleições de João Maia, eu votei e apoiei ele. Menos na última porque votei em mim mesmo. Quem fica com raiva porque votei em mim mesmo é aliado? É de se perguntar isso. Foi dito aqui que eu gosto de poder. Gosto. Quem é o político que não gosta de poder? Não é político. Agora, tem uma diferença. Eu não vendo minha alma pelo poder”, afirmou Jaime, em entrevista à 94 FM nesta quarta-feira (17).
E continuou: “Nos últimos anos eu e Zenaide fomos contra o governo Temer. Rejeitamos cargos e tudo. Fomos contra também o governo Bolsonaro. Não tivemos nenhum cargo. Quem gosta de poder é quem fica em todo governo. É quem gosta mais. Quem fica no poder em qualquer governo não pode estar criticando alguém porque gosta do poder. O político que disser que não gosta do poder, está mentindo explicitamente”.
Para ele, o gostar do poder pode ter várias nuances. “Agora, depende do que você precisa do poder. Se é para servir ao povo ou se é para se servir do poder. Essa é a diferença. Eu não nego que gosto do poder. Agora, não vendo a alma por isso. Mais da metade de minha vida foi na oposição. Não gosto. Quem gosta de ficar na oposição, de perder? Mas, se for para ter que vender a alma, prefiro ficar na oposição”, finalizou.
As declarações de Jaime Calado sobre João Maia foram em reação às falas do deputado, feitas na última quinta-feira (11), também à 94 FM. “Não sei porque Jaime e Zenaide não apoiam Eraldo. Eles são petistas, lulistas, de carteira assinada. O pessoal disse que Jaime gosta do poder. É uma explicação boa”, disparou Maia ao supor o motivo pelo qual seu cunhado não apoia a reeleição de Eraldo Paiva (PT), em entrevista à Rádio Cidade.
Quando questionado sobre a possibilidade de estar em um palanque adversário ao de sua própria família, João Maia respondeu utilizando uma frase histórica dos anos 1960: “Cunhado não é parente, Brizola presidente”. Já sobre sua relação com a irmã, Zenaide Maia, ele afirmou que não está “rompido porque não pode” se distanciar da irmã, mas destacou que suas posições políticas são “super diferenciadas”.
JOÃO MAIA SILENCIA
Procurado pela reportagem do Diário do RN nesta quarta para falar sobre as declarações do cunhado Jaime Calado, o deputado federal João Maia não retornou as mensagens de aplicativo e as ligações telefônicas, mantendo o silêncio sobre o fato.
RELAÇÃO COM FÁTIMA E O PT
Integrante do primeiro escalão do governo Fátima Bezerra (PT), Jaime Calado afirmou não ter nenhum tipo de constrangimento ou desconforto em ser adversário do prefeito Eraldo Paiva. E enfatizou a postura plural do PSD, destacando que a sigla não possui federação com nenhum outro e se define como uma agremiação de centro.
“O nosso PSD é um partido de centro e pode ter aliança num município com a direita, noutro com o centro e noutro com a esquerda. A sociedade é plural. Integramos o governo com muita honra, admiro nossa governadora, uma mulher séria, trabalhadora, guerreira, com espírito público. Vejo as pessoas que querem fazer intriga mostrando os seis maiores municípios onde a gente está em palanque diferente. E os outros 30 em que estamos junto, porque não falam?”.
Uma das cidades onde PT e PSD devem ser adversários é São Gonçalo do Amarante, onde Jaime pode vir a ser pré-candidato a prefeito contra Eraldo Paiva, que tentará a reeleição. Sobre este, ele disse: “Era meu aliado, o vice-prefeito indicado por nós e quando assumiu, nos escolheu como adversários. Botou seis blogueiros todos os dias para bater em mim, em Zenaide e em Terezinha”, falou.
Ele ressaltou ainda que a aliança entre PSD e PT não implica subordinação, embora ambos possam ser adversários em algumas cidades, em outras estarão juntos, pedindo respeito às decisões do partido.
“Nós não queremos inventar a roda. Nosso pensamento é esse. O PSD tem uma missão nacional de tentar trazer a política para o centro. Em nenhum lugar do mundo as extremas deram certo. As mais duradouras foram Hitler e Mussolini. As outras nem aquele tempo ficam. Por isso temos alianças e temos um olhar do jeito que a sociedade é: heterogêneo. Nós respeitamos todos e não tratamos aliados como subordinados”, finalizou.

