O Brasil formalizou, nesta terça-feira (31), a candidatura do forró tradicional ao título de Patrimônio Imaterial da Humanidade junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O dossiê foi entregue pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2021, o forró é considerado uma das principais expressões da cultura popular brasileira. O registro contempla as Matrizes Tradicionais do Forró, um “supergênero” que reúne ritmos como baião, xote, xaxado e arrasta-pé, fundamentais para a identidade cultural do país, especialmente no Nordeste.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a iniciativa tem caráter simbólico e político, ao valorizar uma manifestação profundamente ligada à formação social brasileira. Segundo ela, o reconhecimento internacional reforça a importância da cultura nordestina, das memórias migratórias e dos vínculos entre identidade e território.
Para o presidente do Iphan, Leandro Grass, a candidatura reflete a retomada das políticas de preservação do patrimônio cultural no país. Ele citou ainda avanços recentes, como o reconhecimento internacional dos modos de fazer o Queijo Minas Artesanal e a candidatura do Maracatu Nação.
De acordo com a assessora de assuntos internacionais do Iphan, Juliana Izete Bezerra, a entrega marca o início formal do processo de análise. O dossiê reúne informações históricas e elementos que demonstram a relevância do forró, incluindo sua contribuição para a valorização da diversidade cultural. A Unesco não estabelece prazo para a conclusão da avaliação.
A documentação foi construída de forma colaborativa, envolvendo áreas técnicas do Iphan, a Associação Balaio Nordeste, fóruns de salvaguarda do forró em diferentes estados e representantes do Consórcio Nordeste, garantindo o compromisso institucional com a preservação da manifestação.
Tradicionalmente conhecido como forró de raiz, o gênero reúne práticas musicais e dançantes originárias do Nordeste, com instrumentos característicos como sanfona, zabumba e triângulo. Ao longo do tempo, o forró se consolidou como espaço de encontro de trabalhadores migrantes nordestinos, fortalecendo laços culturais, preservando memórias e ampliando sua presença em todo o Brasil e também no exterior.

