A polêmica em torno do recebimento de um “auxílio-mudança” de quase R$ 40 mil, em janeiro passado, pelos quatro deputados federais do Rio Grande do Norte reeleitos, parece não ter surtido efeito entre a maioria dos beneficiados. Destes, apenas a deputada Natália Bonavides (PT), após ser provocada por matéria jornalística, afirmou que doará o montante recebido para “associações e entidades que promovem atividades culturais e sociais beneficentes e voluntários”, conforme afirmou neste fim de semana.
Já os deputados federais Benes Leocádio (União Brasil), General Girão (PL) e João Maia (PL) mantém silêncio sobre o recebimento do auxílio de R$ 39,3 mil, uma espécie de ajuda de custo paga para os parlamentares realizarem a mudança de seu domicílio de origem para Brasília, onde devem atuar durante o expediente legislativo. O pagamento do benefício ocorreu justamente quando os salários dos deputados também foram reajustados, passando de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.
A petista explicou que é contrária ao recebimento do benefício e que irá propor o fim do pagamento do montante aos deputados reeleitos, já que, em tese, todos já têm residência em Brasília. “Fui uma das parlamentares do Estado que votou contra no debate desse decreto, e a única entre os reeleitos para a atual legislatura. Mas fui voto vencido. Por causa do decreto, os valores entram automaticamente para todos os parlamentares”, afirmou.
A reportagem do Diário do RN procurou os parlamentares Benes Leocádio, General Girão e João Maia, sem sucesso. Benes e João Maia não responderam às perguntas encaminhadas. Já Girão, conforme sua assessoria de imprensa, estava cumprindo agenda oficial de encontros e reuniões e não foi localizado até o fechamento desta edição. Ao portal da 98FM, João Maia e Benes Leocádio se limitaram a dizer que o auxílio-mudança é uma “decisão da Mesa Diretora” e que “vem de legislaturas anteriores”.
Os deputados eleitos durante o pleito de outubro do ano passado, que iniciaram seu primeiro mandato agora – Fernando Mineiro (PT), Paulinho Freire (União Brasil), Robinson Faria (PL) e Sargento Gonçalves (PL) – também receberam o benefício, justificável pela necessidade de mudança do RN para Brasília.

