O STF (Supremo Tribunal Federal) retomou os depoimentos do inquérito que investiga as fraudes do Banco Master nesta segunda-feira (26). As oitivas se estendem até esta terça-feira (27).
As datas foram autorizadas pelo ministro relator do caso, Dias Toffoli. Ao todo, oito executivos devem depor. Parte deles irá presencialmente ao STF, outra parte falará por videoconferência.
Dentre os ouvidos estão sócios do Banco Master, executivos do BRB e um diretor de empresa ligada ao esquema.
Os depoimentos serão colhidos em apenas dois dias, após Toffoli reduzir o prazo pedido pela PF (Polícia Federal). Essa decisão representou um novo desgaste na relação institucional com a corporação.
A perícia do material apreendido na mais recente fase da Operação Compliance Zero, por exemplo, será realizada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Quatro peritos da PF foram designados por Toffoli para acompanhar o processo. Os nomes não foram sugeridos pela corporação, mas escolhidos de forma independente pelo ministro.
Os depoimentos fazem parte da investigação da Polícia Federal que, no prazo de 60 dias, se não houver pedido de adiamento, deverá entregar um relatório com as provas colhidas e nomes indiciados.
Conforme mostrou a CNN, Toffoli já avalia devolver a investigação para a primeira instância da Justiça, onde o caso tramitava até o final do ano passado. O processo só chegou ao STF e às mãos do ministro devido ao suposto envolvimento do deputado nas fraudes, já que ele possui foro privilegiado.
Desde dezembro, ordens do ministro têm gerado incômodo na Polícia Federal e nos próprios integrantes do STF, que passaram a discutir nos bastidores maneiras de evitar maiores desgastes à imagem da Corte.
O que dizem as investigações?
A PGR afirmou ao STF que há indícios consistentes de que o Banco Master teria utilizado “vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” para desviar bilhões de reais em benefício de seus controladores, especialmente o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Segundo a investigação da Polícia Federal, acolhida pela PGR, o Banco Master captava recursos no mercado por meio da emissão de CDBs e os direcionava a fundos dos quais ele próprio era cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriam notas comerciais e direitos creditórios de empresas vinculadas a sócios do banco ou a pessoas próximas, sem lastro econômico real.
Veja abaixo quem deve depor ao STF
26 de janeiro
- Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor financeiro do BRB (Banco de Brasília) – videoconferência;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada no esquema – videoconferência;
- Henrique Souza e Silva Peretto, empresário – videoconferência;
- Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master – videoconferência.
27 de janeiro
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de operações financeiras do BRB – presencial;
- Luiz Antonio Bull, diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master – presencial;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master – videoconferência;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master – presencial.
*Com informações de CNN

