Mulheres de diversos movimentos sociais, sindicatos e organizações participaram, na manhã deste domingo (8), de ato pelo Dia Internacional da Mulher na Redinha, em Natal. A mobilização reuniu manifestantes em defesa do enfrentamento à violência de gênero e do fim da jornada de trabalho 6×1, pauta que tem ganhado força em diferentes partes do país.
Durante o ato, a vereadora Samanda Alves (PT) destacou que a sobrecarga de trabalho afeta especialmente as mulheres, que além da jornada formal ainda acumulam o trabalho doméstico e de cuidado. “Não tem como as mulheres trabalharem seis dias na semana e folgarem apenas um, que não é folga, porque tem também o cuidado. Cuidar da casa, dos filhos, da família. Então é uma pauta real, é uma pauta de vida”, afirmou.
A parlamentar também reforçou que a mobilização do 8 de março carrega uma história de organização e luta coletiva das mulheres por direitos. Segundo ela, enfrentar a violência de gênero e garantir melhores condições de trabalho são passos fundamentais para assegurar dignidade e autonomia. “Lutar contra o feminicídio e pelo fim da jornada 6 por 1 é lutar pelo direito das mulheres viverem com dignidade”, disse.
Ao mencionar a escolha da Redinha como local da mobilização, a vereadora destacou o simbolismo da região, lembrando a luta das permissionárias que se mobilizaram para reabrir o Mercado da Redinha. “Quando as mulheres se juntam, elas fazem uma revolução. O Mercado da Redinha é um exemplo disso. Ele estava fechado e foi a força das mulheres de Natal que garantiu sua reabertura”, afirmou.
Projetos apresentados na Câmara
Na semana do Dia Internacional da Mulher, Samanda também protocolou na Câmara Municipal de Natal um pacote com sete projetos de lei voltados à proteção, autonomia e promoção de direitos das mulheres.
Entre as propostas estão a criação do Observatório de Gênero, Raça e Crise Climática, a prioridade para mulheres em situação de violência em programas habitacionais por meio do projeto Morada Segura, e o Selo Juliana Soares, destinado a reconhecer condomínios que adotem medidas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
O conjunto de iniciativas também inclui a tramitação prioritária de processos administrativos para vítimas de violência doméstica, a formação continuada de servidores públicos para o atendimento a mulheres em situação de violência, a criação do programa Mulheres na Prevenção de Riscos no Território e a instituição da Semana Municipal do Esporte Feminino em Natal.
Para Samanda, as propostas dialogam com as reivindicações históricas do movimento de mulheres. “Seguiremos organizadas nas ruas, nos movimentos sociais e também nos parlamentos, porque cada direito conquistado pelas mulheres foi fruto de luta coletiva”, afirmou.

