Bombardeios de tanques e ataques aéreos israelenses mataram 18 pessoas, incluindo quatro crianças, na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (4), e Israel suspendeu a passagem de pacientes pela fronteira de Rafah, disseram autoridades palestinas.
Os militares israelenses afirmaram que tanques dispararam contra Gaza e que ataques aéreos foram lançados depois que um atirador disparou contra soldados israelenses, ferindo gravemente um reservista.
Os ataques atingiram a Cidade de Gaza e a cidade de Khan Younis, no sul do país. Uma autoridade de saúde de Gaza disse à agência de notícias Reuters que Israel também suspendeu a passagem de pacientes pela fronteira de Rafah para o Egito, dois dias depois de ela ter sido reaberta, permitindo que um pequeno número de palestinos cruzasse a fronteira pela primeira vez em meses.
Um porta-voz do Crescente Vermelho disse que pacientes chegaram a um hospital em Khan Younis, em preparação para atravessar Rafah em busca de tratamento, apenas para serem informados de que Israel havia adiado as retiradas.
“Ligaram para os pacientes e disseram que hoje não há nenhuma viagem, a passagem está fechada”, disse Raja’a Abu Teir, um paciente palestino que seria retirado, à Reuters no hospital, onde diversas pessoas aguardam em ambulâncias.
A agência israelense que controla o acesso a Gaza, COGAT, afirmou em um comunicado nesta quarta-feira (4) que a passagem de Rafah permanecia aberta, mas que não havia recebido da OMS (Organização Mundial da Saúde) os detalhes de coordenação necessários para facilitar a travessia.
A OMS não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
Reabertura da passagem faz parte do plano dos Estados Unidos
A reabertura da passagem era uma das exigências do cessar-fogo de outubro, que estabeleceu a primeira fase do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates entre Israel e os militantes palestinos do Hamas.
Pelo menos 16 pacientes de Gaza e 40 acompanhantes cruzaram para o Egito na terça-feira (3), relataram médicos de Gaza à Reuters.
Uma fonte policial do Hamas disse à Reuters que pelo menos 40 pessoas cruzaram do Egito para Gaza no final da terça-feira.
Em janeiro, Trump declarou o início da segunda fase do cessar-fogo, na qual as partes negociariam a governança futura e a reconstrução do território devastado.
Questões cruciais, como a retirada das forças israelenses dos mais de 50% de Gaza que ocupam atualmente e o desarmamento do Hamas, permanecem sem solução, enquanto o frágil cessar-fogo tem sido marcado por violência quase diária.
Desde o início do cessar-fogo, disparos israelenses mataram pelo menos 530 pessoas, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza.
Militantes palestinos mataram quatro soldados israelenses no mesmo período, conforme autoridades israelenses.
A ofensiva israelense de dois anos contra a Faixa de Gaza matou mais de 71 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza, deslocou a maior parte da população e deixou grande parte da região em ruínas.
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, segundo dados israelenses.
*Com informações de CNN

