Professora e artística plástica, Luciane Medeiros acaba de retornar de uma temporada de exposição em Toulouse, na França, uma oportunidade que enxergou em viagens anteriores quando visitava o filho que mora em Paris: “Eu fui pesquisar na internet, achei algumas galerias de arte e achei no Instagram a Galerie la Mosaïque. Eles pediram para fazer um dossiê de candidatura, eu produzi o meu dossiê, duas obras exclusivas para essa exposição e me candidatei”.
Ainda sem a resposta sobre a candidatura, Luciane colocou os trabalhos prontos na mala e partiu para a França. A confirmação para participar na exposição coletiva chegou, e ela conta que a experiência internacional mudou sua vida: “Foi uma experiência muito rica, importante, a primeira coisa que vem na cabeça é: poxa, vou levar meus trabalhos para outro país, tem a questão da língua, eu estudo francês, sei um pouco, mas é sempre desafiador a gente levar uma parte nossa, um trabalho artístico e expor numa outra cultura, outro país, com pessoas que têm outra maneira de ver o mundo, enfim, mas a arte é tão sensível nesse aspecto que ela integra”.

Apesar do desafio do idioma estrangeiro, a receptividade e interação com o público foram grandes, assim como a emoção de ver as pessoas comentando sobre a beleza do trabalho dela: “Com o tempo eu percebi muito a receptividade das pessoas, então, vai desfazendo as fronteiras, as barreiras, e a gente vai se conectando. Quando o trabalho vai para o mundo, ele não é mais meu, ele passa a fazer parte do outro também e isso é a maior riqueza”.
Arte, emoção e amor em aquarela
Aos 54 anos, a artista plástica diz ter a vida atrelada à arte de uma forma que as duas coisas não podem coexistir de maneiras distintas: “Minha paixão por desenho, por pintar, é a minha vida. Não existe dissociação, ‘Luciane está aqui e a arte é outra coisa’, a arte está em mim como uma forma de viver, de sentir o outro, de poder me expressar e de convidar os outros a fluir junto”.
Essa relação teve início dentro de casa ainda na infância, através de sua mãe, que sempre pintava e costumava ouvir músicas com bastante frequência. Com esse estímulo, permitiu-se experimentar: “Lembro muito bem do primeiro desenho que me marcou bastante, foi uma casinha. Eu tinha 4 anos de idade, então, a paixão pelo desenho sempre esteve presente na minha vida, desenhar para mim é um prazer indescritível. Desenhar e pintar”.

Luciane mora em Pium, na grande Natal, e na composição de suas artes, as plantas e vegetações nativas da região servem de inspirações para compor o trabalho dela, que transita entre vários segmentos, cores, emoções, que fluem de uma forma natural: “Eu sou muito ligada à natureza e tenho muita ligação com esse tema ‘o feminino’, da questão da expressão mesmo, da importância, da nossa ligação com o Planeta Terra, então, o meu trabalho nessa fase vai muito nesse caminho”.
As artes de Luciane também se misturam com os textos poéticos que ela compartilha em seu site (lucianemedeiros.art.br), mas entre tantas experimentações artísticas, a artista conta que se encontrou em um segmento: “Já trabalhei com vários materiais, mas eu venho desde 2013 me dedicando a trabalhar com aquarela e trabalhar de uma forma fluída. Eu posso dizer que é uma maneira, uma forma intuitiva de pintar, porque eu não planejo o que vou fazer, nem planejo as cores, eu simplesmente me deparo com o branco do papel e vou deixando fluir as formas”.
A maternidade como inspiração artística
Com o surgimento de sua veia artística ainda na infância e por meio de uma vertente materna, Luciane atrela sua arte também à maternidade, que segundo ela, foi transformadora em sua vida, ao início de uma nova jornada pós maternidade:
“Minha obra prima mais incrível e a mais amorosa, mais sensível da minha vida, é o meu filho. Eu acho que ser mãe, essa qualidade de poder ser mãe, né? Ela tem tantas implicações. Ela teve tantas implicações para mim e trouxe uma conexão tão profunda com esse feminino, de gestar não que isso seja uma marca do feminino, ser mãe. Porque eu acho que tem muitas mulheres que não se identificam com essa questão de ser mãe. Então o feminino não necessariamente está ligado a isso, mas também está ligado a esse poder.
O meu filho, ele me tirou do lugar nesse aspecto. Acho que os filhos, eles sempre têm esse poder de nos tirar do lugar”.

