ERY MEDEIROS: BUSTOS, ESTÁTUAS E FORMAS CONTEMPORÂNEAS, O ARTISTA TRANSFORMA MATÉRIA EM REFLEXÃO SOBRE O HUMANO
RAÍZES E IDENTIDADE POTIGUAR

No lugar sensível onde a forma ganha consciência, o escultor e artista plástico Ery Medeiros construiu uma trajetória singular nas artes visuais brasileiras, notadamente no Rio Grande do Norte. Nascido em 1971, em São Bento do Trairi, e criado em Santa Cruz, no interior potiguar.
Filho de José Roberto Alves da Silva e Terezinha Medeiros da Silva.
Erivaldo Medeiros da Silva, que adotou o nome artístico de Ery Medeiros, fez da escultura não apenas um ofício, mas um modo de pensar o mundo. Sua obra, marcada pela precisão formal e pela densidade simbólica, revela um artista comprometido com a memória, as raízes e os dilemas contemporâneos da condição humana, como o Labor, o Trabalho e a Ação. Para tanto, recomendo o livro de Hannah Arendt: “A Condição Humana”, para entender como essas três condições são importantes na caminhada do artista.
FORMAÇÃO ACADÊMICA E RIGOR TÉCNICO
Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com conclusão em 1993, Ery dedicou-se integralmente às artes visuais desde muito jovem. Ainda nos anos de formação, mergulhou no estudo do desenho anatômico, da modelagem e da tradição escultórica clássica, campos que posteriormente se desdobrariam em uma linguagem própria, na qual convivem rigor técnico e inquietação conceitual.
INSERÇÃO NO CIRCUITO ARTÍSTICO NACIONAL
Sua atuação profissional se consolidou entre o Rio de Janeiro e São Paulo, dois centros decisivos para sua maturação artística. Nesse período, lecionou em instituições de arte, participou de exposições e integrou o circuito galerístico, frequentando espaços relevantes como a galeria de Sérgio Longo e as galerias da Rua Estados Unidos, em São Paulo, eixo simbólico do mercado artístico brasileiro. O reconhecimento veio em forma de premiações e distinções, especialmente no Rio de Janeiro, onde sua produção despertou atenção pela força expressiva e domínio técnico.
RETORNO A NATAL E AFIRMAÇÃO AUTORAL
Em 1997, o retorno a Natal representou mais que uma mudança geográfica: marcou um reencontro com as raízes culturais do Nordeste e o início de uma fase de afirmação autoral. Logo ao chegar, recebeu o Prêmio Telemar pela obra O Fardo da Desumanidade, peça que sintetiza um dos eixos de sua poética, o peso simbólico da existência humana diante das estruturas sociais contemporâneas. Entre exposições individuais e coletivas, como Felicidade, o artista consolidou presença no cenário regional, mantendo diálogo com o circuito nacional.
BUSTO, ESTÁTUA E A ESCULTURA COMO PERMANÊNCIA

Ery Medeiros tornou-se especialmente reconhecido por sua produção escultórica voltada à criação de bustos e estátuas, trabalhos que conjugam memória histórica, representação simbólica e refinamento técnico. Seus retratos escultóricos ultrapassam a mera semelhança física: buscam capturar a densidade psicológica e o ethos das figuras representadas, transformando o gesto escultórico em ato de permanência.
CONTEMPORANEIDADE, TRANSUMANISMO E CRÍTICA SOCIAL
Na produção recente, sua pesquisa assume contornos mais experimentais e críticos. O artista desenvolve uma narrativa contemporânea marcada pelo debate sobre transumanismo e desumanização, tensionando os limites entre corpo, tecnologia e identidade. Suas formas instauram controvérsias formais e conceituais dentro do próprio estilo, evidenciando um discurso provocador que dialoga com inquietações globais da arte contemporânea.
ENTRE MATÉRIA E TEMPO
Entre tradição e ruptura, Ery Medeiros trabalha a matéria como quem interroga o tempo. Suas esculturas, silenciosas e densas, permanecem como testemunhos daquilo que somos, e do que, talvez, estejamos nos tornando.

