JOTA MEDEIROS, O VISIONÁRIO DA VANGUARDA POTIGUAR DO SERTÃO PARAIBANO À REINVENÇÃO DA ARTE NO RIO GRANDE DO NORTE
RAÍZES E PRIMEIROS TRAÇOS
Há nomes que atravessam gerações sem perder a vibração do novo. Jota Medeiros é um deles. Nascido em João Pessoa, em 1958, mas potiguar por adoção desde 1967, ele fez de Natal seu laboratório permanente de experiências visuais, poéticas e sonoras, embaralhando fronteiras entre artes plásticas, poesia e performance.
A FORMAÇÃO E O DESPERTAR ARTÍSTICO
Formado em Educação Artística pela UFRN, Jota surgiu ainda adolescente, desenhando e pintando sobre tela. Sua primeira exposição individual, em 1974, na Livraria Presença, já indicava um artista inquieto, atento às linguagens modernas e pós-modernas que começavam a sacudir o circuito de arte brasileiro. Mais do que seguir tendências, ele parecia interessado em testar os limites de cada suporte.


O MERGULHO NA VANGUARDA
Nos anos 70 e 80, Jota Medeiros mergulhou na vanguarda: aproximou-se do Poema/Processo, da poesia visual, da arte-correio e das proposições conceituais. Organizou mostras internacionais de arte-correio na UFRN, levou exposições para Campina Grande e João Pessoa, conectando Natal a uma rede global de criadores que trocavam obras pelo correio, muito antes das redes sociais digitalizarem o mundo. Nessas trocas, cartões, selos, colagens e interferências gráficas viravam território de invenção.
A POESIA VISUAL QUE CRUZOU FRONTEIRAS
A experiência com a poesia visual ultrapassou fronteiras. Em 1978, seu livro-poema Progressão, foi editado na Holanda, pela Stempelplates, colocando um artista radicado no Rio Grande do Norte no mapa da experimentação internacional. Jota atuava como editor e agitador cultural: assinou o suplemento Contexto, do jornal A República, e organizou a antologia Geração Alternativa, reunindo vozes que ajudaram a contar uma outra história da literatura e das artes potiguares.
ARTE NAS RUAS E MÚLTIPLAS LINGUAGENS Paralelamente, o artista nunca abandonou a rua. Participou de festivais, happenings e performances, levou seus poemas visuais para o Beco da Lama, dialogou com músicos, cantautores e cineastas, misturando imagem, palavra e som. Em projetos como mostras da Primavera dos Museus e ações em torno da arte-correio, atuou como articulador generoso, capaz de acolher jovens artistas, comentando seus trabalhos e, ao mesmo tempo, provocando, instigando, empurrando cada um para além da zona de conforto.
CURADOR, PROFESSOR E GUARDIÃO DA MEMÓRIA
Essa postura de ponte entre gerações e linguagens se consolidaria no trabalho de curador, crítico e professor. À frente do Museu de Arte Abraham Palatnik, ligado ao Núcleo de Arte e Cultura da UFRN, Jota ajudou a estruturar e preservar um vasto arquivo multimídia, fruto de décadas de produção, parcerias e experimentações. Ao lado do acervo da universidade, seu próprio arquivo integra hoje um importante núcleo de memória da arte contemporânea no estado.
NATAL FUTURISTA E O OLHAR SOBRE O AMANHÃ
Em 2011, Jota reuniu parte dessa trajetória no livro Natal Futurista, em que revisita heranças e atualidades da arte potiguar. Não se trata de um inventário frio, mas de uma leitura apaixonada da cena que ele próprio ajudou a construir, ao lado de nomes como Palatnik, Dorian Gray, Falves Silva e tantos outros artistas que transformaram Natal num polo de invenção estética.
O LEGADO E A PERMANÊNCIA
Mais do que registrar o passado, Jota Medeiros segue na memória de vários artistas, como presença viva nas discussões sobre museus, preservação, linguagem digital e formação de público. Seu percurso lembra que a arte do Rio Grande do Norte não cabe em rótulos regionais estreitos: ela nasce local, mas dialoga com o mundo. E, nesse diálogo, a obra de Jota permanece como um convite à ousadia.
Fontes de pesquisa:
https://www.catalogodasartes.com.br/artista/Jota%20Medeiros%20-%20J.%20Medeiros
https://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grande_norte/jota_medeiros.html
https://paraibacriativa.com.br/artista/jota-medeiros/
https://natalnet.br/palatnik/JotaMedeiros/poeticas_visuais/perfilhistorico.html

