AYALA GURGEL E O REALISMO FIGURATIVISTA
O ARTISTA E O SEU MUNDO
Nascido em Alexandria-RN, em 07 de agosto de 1971, Wildoberto Batista Gurgel, hoje amplamente conhecido como Ayala Gurgel, é um artista plástico e mestre cuja trajetória reúne arte, filosofia, educação e uma profunda conexão com as raízes populares e culturais do sertão nordestino. Filho dos agricultores Firmino Gurgel e Rita Batista, foi alfabetizado inicialmente em casa, com forte influência de sua mãe, que o ensinou a ler, escrever e calcular usando a tradicional Cartilha do ABC e a velha Tabuada. Desde cedo, foi incentivado ao desenho, utilizando pedaços de carvão e papéis velhos, ou até muros e paredes, como suporte para suas primeiras criações.
Sua infância foi marcada também por momentos ao lado da mãe, ouvindo histórias de cordel e narrativas clássicas como A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, lidas em um exemplar bastante desgastado, mas carregado de memórias. Já a influência de sua avó materna, conhecida como Maria Louceira, veio da ancestralidade indígena Cariri e do talento com a cerâmica e a renda de bilro — práticas tradicionais que, no entanto, eram transmitidas apenas às mulheres da família.
FORMAÇÃO INTELECTUAL E RELIGIOSA
Em 1988, ingressou no Seminário Menor Santa Luzia, sob a orientação de Padre Mariano, posteriormente bispo. A amizade entre os dois permanece até hoje, e Ayala o reconhece como uma das figuras fundamentais para seu amor pelo desenho, cada ano o pedia para fazer uma cópia do desenho da Campanha da Fraternidade. No mesmo período, começou o ensino médio no Colégio Diocesano Santa Luzia. Desde então, passou a assinar suas obras como Betto, simplificação adotada para facilitar a pronúncia do nome “Wildoberto” entre o povo mais simples. Até 1995, todas as suas obras são assinadas com esse pseudônimo.
MUDANÇAS, UNIVERSIDADE E NOVA IDENTIDADE
Entre 1990 e 1994, estudou no Seminário Maior Imaculada Conceição, na Paraíba. Em 1995, iniciou sua formação acadêmica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde concluiu o bacharelado em Filosofia (1997) e posteriormente o mestrado (2001). Mais adiante fez o primeiro Doutorado na UFMA. Foi também em João Pessoa que Ayala se aproximou dos grupos de arte e teatro, passando a adotar definitivamente o nome Ayala, atribuído a ele no grupo com o sentido de “mente fértil”.
RETORNO ÀS ORIGENS E RECONEXÃO COM A ARTE
Em 2014, retornou ao Rio Grande do Norte, assumindo vaga na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), inicialmente em Pau dos Ferros e depois em Mossoró. Em 2021, concluiu seu segundo doutorado, desta vez em Filosofia, pela Universidade Federal do Ceará, com a tese sobre a Ética dos Nomes Próprios.
Durante a pandemia, incentivado pela companheira Victória de Oliveira e pela professora de artes Maria Mirtes Barros, começou a pintar em aquarela, uma técnica até então inédita para ele.
Em 2023, realizou sua primeira pintura a óleo, intitulada Lição Difícil, doada à Pinacoteca e Memorial da UFERSA (PIM).


EXPOSIÇÕES E LEGADO ARTÍSTICO
Em 2024, participou de sua primeira exposição artística, “Era uma Vez…”, promovida pelos Amigos da Pinacoteca Potiguar, tendo a organização do artista plástico Alfredo Neves e o convite de Isaura Rosado. Desde então, passou a se dedicar intensamente à pintura. No mesmo ano, integrou o acervo permanente da PIM com oito obras. Seu estilo, marcado por traços realistas e tons terrosos, dialoga com o cotidiano do povo simples, com os mitos regionais e as memórias das populações originárias. Inspirado nas técnicas da arte acadêmica, Ayala Gurgel afirma que sua arte é, acima de tudo, um espelho poético da realidade.