NEWTON NAVARRO: MAIS DO QUE UMA PONTE NO MEIO DO RIO
UMA INTRODUÇÃO NECESSÁRIA
Já estava em meus escritos uma breve descrição e biografia sobre Newton Navarro Bilro, nomeadamente Newton Navarro. Nascido em Natal no dia 08/10/1928 e falecido em 18/03/1991, filho de Elpídio Soares Bilro e Celina Navarro Bilro. Além de poeta, dramaturgo, desenhista e artista plástico, Newton Navarro esteve entre os mais ilustres e simples seres da terra de Poti.
Valério Mesquita, na Revista da ANRL, No 56, o denomina como o Poeta do Rio, afirmando que Navarro “soube atravessar as noites escuras do tempo, como se soubesse o peso da sombra, a cor do vento e o segredo das estações”. Sua produção artística sempre exaltou o regionalismo e a essência potiguar.
É PRECISO RECONHECER A PARTIR DA HISTÓRIA

Esta coluna poderia se deter apenas na biografia do artista no campo das artes e da cultura, mas surgiu um debate no Estado que precisa ser analisado. Um político propõe mudar o nome da Ponte Newton Navarro para Ponte Wilma de Faria. A ex-governadora teve papel relevante na história do estado e recebeu múltiplas homenagens. Contudo, foi a própria Wilma quem escolheu o nome de Newton Navarro para a ponte.
O engenheiro responsável pela obra foi o italiano Mário Miranda. Com um investimento de R$ 194 milhões, a ponte foi inaugurada em 2007, alcança 55,10 metros de altura e quase dois quilômetros de extensão. Uma obra monumental que atravessa o nosso grande rio, conectando a cidade de forma imponente.
NEWTON NAVARRO: UMA PONTE PARA A MODERNIDADE

Essa ideia já vem se arrastando faz um certo tempo. Em 2022, para a Revista Paleta No 3, o ensaísta e memorialista Manoel Onofre Jr. destacou: “Newton Navarro representa, no Rio Grande do Norte, uma ponte para a modernidade. Foi um dos introdutores da Arte Moderna em Natal, realizando exposições que chocaram a sociedade conservadora da época. Junto a Dorian Gray Caldas, Navarro foi um dos principais apóstolos do modernismo potiguar, não apenas como artista plástico, mas também como escritor versátil.”
Onofre Jr. prossegue: “Em “Beira-Rio”, exaltou o Potengi, a Ribeira e a boemia natalense. No livro “Do Outro Lado do Rio, Entre os Morros”, imortalizou a Redinha e seus encantos. A temática regional esteve presente em toda sua obra, sempre com um padrão de qualidade incomparável.
Como reconhecimento, recebeu diversas homenagens, incluindo a escolha de seu nome para a ponte que atravessa o rio que tanto celebrou.”
Por isso, é estarrecedor que um deputado proponha mudar essa homenagem. Não se trata de desmerecer Wilma de Faria, mas de respeitar a memória de Newton Navarro, que tanto contribuiu para a cultura do estado. Se viva estivesse, Wilma possivelmente se oporia a tal alteração.
UMA VASTA CONTRIBUIÇÃO CULTURAL E LITERÁRIA
No site Guia das Artes, encontro: Newton Navarro estudou nos Colégios Santo Antônio e Atheneu Norte-rio-grandense e frequentou a Faculdade de Direito do Recife, sem concluir o curso.
Estudou pintura e conviveu com artistas como Lula Cardoso Ayres, Hélio Feijó e Reinaldo Fonseca. Em 1948, participou do I Salão de Arte Moderna do Recife e realizou sua primeira exposição em Natal. Esteve em Buenos Aires (1951), Paris (1964) e Lisboa (1966), sempre expandindo sua arte.
Publicou vários livros, como “Subúrbio do Silêncio” (1953), “Solitário Vento do Verão” (1961), “Beira-Rio” (1970) e “Os Mortos São Estrangeiros” (1970).
RESPEITAR A HISTÓRIA É REVIGORAR A MEMÓRIA
Navarro se eterniza não apenas pelo nome na ponte, mas por sua arte e sua literatura. Seu legado é insubstituível, e sua memória deve ser preservada.
Mudar o nome da ponte é apagar um pedaço da história potiguar. E isso não podemos permitir. Por fim, recomendo a leitura do livro de Sheyla Azevedo: “Navarro: Um Anjo Feito Sereno” para conhecer mais profundamente este ícone potiguar.