Por Fernanda Sabino
Cotada nos bastidores como um dos nomes do PSDB para compor a chapa governista encabeçada por Cadu Xavier (PT) em 2026, a médica Júlia Almeida, primeira-dama de Parelhas e pré-candidata a deputada estadual, passou a enfrentar resistência crescente dentro do campo aliado ao Governo do Estado. O motivo são as recentes demonstrações públicas de alinhamento político com o senador Styvenson Valentim (Podemos), uma das principais lideranças da oposição potiguar.
O Diário do RN revelou recentemente que Júlia aparecia entre os nomes observados para ocupar a vaga de vice-governadora na chapa governista. A escolha de uma mulher é defendida pelo próprio Cadu Xavier, que já declarou ao jornal enxergar na composição feminina um caminho natural para a construção da aliança. Além disso, informações de bastidores apontam que a vaga deverá ficar com o PSDB, partido presidido no Estado pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira.
Nos últimos dias, porém, declarações da própria Júlia e movimentações do prefeito de Parelhas, Dr. Tiago Almeida, passaram a alimentar dúvidas sobre a viabilidade política de seu nome para integrar um projeto liderado pelo PT.
Em entrevista à 95 FM, a médica declarou voto em Styvenson Valentim para o Senado Federal, destacando os investimentos destinados pelo parlamentar ao município.
“Eu sou uma pessoa ponderada, eu voto em pessoas que acreditam que fazem o bem para a nossa população. Então, assim, o Styvenson investiu muito na saúde de Parelhas, colocou emendas para a gente ter a reforma de uma escola. Quem faz o bem merece o nosso voto. O meu primeiro voto é em Styvenson Valentim, o segundo ainda não tenho”, afirmou declarando o apoio ao senador e deixando a preferência pela segunda vaga em aberto.
A declaração repercutiu nos bastidores políticos justamente porque Styvenson é identificado como uma das principais lideranças do campo conservador e oposicionista no Estado. Embora a médica não tenha feito qualquer referência à disputa pelo Governo do Estado, a fala foi interpretada por interlocutores da base governista como um sinal político relevante.
A situação ganhou novos capítulos na semana com a circulação de registros e postagens do prefeito Dr. Tiago Almeida em colaboração com senador. Em uma publicação sobre o avanço das obras da Central de Imagens de Parelhas, o gestor atribuiu diretamente ao parlamentar a viabilização do projeto.
“Essa conquista só está sendo possível graças à parceria com o senador Styvenson Valentim. Tenho a certeza de que, em 2026, estaremos aqui celebrando a entrega de um equipamento que fará a diferença na vida de milhares de pessoas”, escreveu.
A postagem reforçou a percepção de proximidade entre o grupo político de Parelhas e o senador.
Embora a relação institucional entre prefeitos e parlamentares seja comum, o momento em que ela ocorre chamou atenção, especialmente diante das discussões sobre a composição da chapa governista.
Nos bastidores, a avaliação é que as manifestações públicas de apoio a Styvenson diminuem as chances de Júlia ser escolhida para ocupar a vice de Cadu Xavier. Isso porque a estratégia do grupo governista passa pela construção de um discurso de unidade política em torno da sucessão estadual.
A mudança de cenário ocorre apesar de Júlia ter sido vista recentemente ao lado da governadora Fátima Bezerra e do próprio Cadu Xavier em agendas políticas, o que havia reforçado especulações sobre sua inclusão no projeto governista.
Caso a primeira-dama de Parelhas realmente deixe de ser considerada para a composição majoritária, outros nomes do PSDB passam a ganhar força nas conversas. Entre os mais citados estão a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, irmã de Ezequiel Ferreira, e a deputada estadual Cristiane Dantas, esposa do ex-vice-governador Fábio Dantas.

