Por Carol Ribeiro
Durante a abertura dos trabalhos legislativos de 2026, na Câmara Municipal de Mossoró (CMM), nesta quarta-feira (11), o prefeito Allyson Bezerra (UB) incluiu o discurso contra o Governo do Estado e afirmou que Mossoró foi “abandonada, sabotada e alvo de todo tipo de maldade” pela gestão estadual. As declarações mais fortes foram dadas em entrevista após a leitura da mensagem anual do Executivo, mas o conteúdo do discurso no plenário também trouxe críticas indiretas à governadora Fátima Bezerra (PT).
Na conversa com a imprensa, o pré-candidato ao Governo marcou posição no confronto e sinalizou disposição para disputar o novo espaço político. Segundo ele, a postura do Governo do Estado teria prejudicado o desenvolvimento do município ao longo dos últimos anos.
“Vou renunciar ao cargo, vou renunciar ao meu direito de ser prefeito. Nós vamos entrar numa missão, porque se eu tiver condição, se porventura vontade de Deus ou do povo, eu estarei próximo a Marcos [Medeiros] para fazer o que o governo do Estado não fez por Mossoró há muitos anos, o Governo do Estado abandonou, sabotou e fez todo tipo de maldade com a cidade de Mossoró”, afirmou.
O prefeito também disse que não pretende se omitir diante do que classificou como um “clamor popular”, indicando que sua renúncia ao cargo, anunciada para maio, faz parte de um projeto maior. Allyson confirmou que deixará a Prefeitura para que o vice-prefeito Marcos Medeiros assuma o comando do Executivo municipal.
Embora tenha reservado as acusações mais diretas à entrevista, a mensagem lida no púlpito da Câmara trouxe recados claros ao Governo do Estado. Ao destacar resultados da gestão municipal, Allyson fez comparações explícitas entre Mossoró e a administração estadual, especialmente nas áreas fiscal e educacional.
Ao falar sobre equilíbrio financeiro, ressaltou que o município mantém há mais de 60 meses o salário dos servidores rigorosamente em dia e lembrou que Mossoró conquistou a Capag A do Tesouro Nacional, índice que mede a capacidade de pagamento dos entes públicos.
“Só para comparar: o Estado é nota C, e Mossoró conquistou nota A de organização financeira”, afirmou, em referência direta ao Rio Grande do Norte.
Na educação, o contraste foi ainda mais incisivo. Allyson exaltou o programa Mossoró Cidade Educação, classificado por ele como “a maior revolução educacional da história do município”, e comparou a realidade da rede municipal com a das escolas estaduais.
“A gente colocou na rede pública coisas que antes só se via em escola particular, como fardamento completo e ar-condicionado. Isso é um contraste com o que vivem outras crianças Brasil afora, Rio Grande do Norte afora, ou mesmo as escolas estaduais, que vivem um completo caos aqui em Mossoró”, apontou.
Apesar de estar no sexto ano de gestão, o discurso teve tom de despedida. Allyson falou em “sonhos que viraram entregas” e em um “legado que atravessou a cidade”. Durante a sessão, cumprimentou apenas vereadores da bancada governista e apresentou oficialmente Marcos Medeiros como futuro prefeito, confirmando que deixará o cargo em março.
“Ouvindo o clamor do povo, eu resolvi assumir uma nova missão. Eu sei o tamanho do desafio, mas quando o povo fala, o homem do povo não pode deixar de ouvir”, declarou.

