As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) atravessam uma forte desvalorização na Bolsa de Valores nos últimos anos. O papel, que chegou a ser negociado acima de R$ 400 em períodos anteriores, passou a valer centavos e era cotado em torno de R$ 0,65 no último registro disponível no site de Relações com Investidores da companhia, em 14 de agosto.
A queda ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da empresa. Nesta segunda-feira (17), o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A companhia informou dívidas de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
Durante o pregão desta segunda, as ações chegaram a ser negociadas próximas de R$ 0,45, após a divulgação do pedido de recuperação judicial. O movimento representa uma queda superior a 30% em relação ao fechamento anterior.
De mais de R$ 400 a menos de R$ 1
A trajetória das ações reflete uma combinação de fatores que pressionaram a varejista ao longo dos últimos anos. Além das dificuldades do setor, a companhia enfrentou aumento do custo do crédito, juros elevados, inadimplência e maior concorrência no comércio eletrônico.
Em documentos apresentados à Justiça, o Grupo Casas Bahia apontou que os investimentos em tecnologia, logística e expansão digital iniciados a partir de 2019 foram afetados pelos efeitos da pandemia e, posteriormente, pela elevação da taxa básica de juros. A Selic, que chegou a 2% ao ano entre o fim de 2020 e o início de 2021, posteriormente avançou para 15% ao ano, aumentando o custo de financiamento da empresa.
A companhia também informou que seu modelo de negócios depende de capital de giro, financiamento de estoques, operações com fornecedores e crédito ao consumidor, segmentos diretamente afetados pela alta dos juros e pela inadimplência.
Prejuízo bilionário
O resultado divulgado pela empresa mostra o tamanho da deterioração financeira. O Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 9,1 bilhões tiveram origem em efeitos contábeis não recorrentes. Mesmo desconsiderando esses efeitos, o prejuízo ajustado chegou a R$ 978 milhões no trimestre.
A companhia também informou patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 8,1 bilhões e acumulou oito trimestres consecutivos de prejuízo. Como parte da reestruturação, foram anunciados o fechamento de 298 lojas e cortes no quadro de funcionários.
Recuperação judicial
O pedido apresentado à Justiça inclui a empresa matriz e subsidiárias do grupo. Segundo informações divulgadas pela companhia, o objetivo é preservar as operações enquanto são negociadas alternativas para reorganizar as dívidas e recuperar a capacidade financeira.
A recuperação judicial ocorre cerca de dois anos depois de a empresa concluir uma recuperação extrajudicial, na qual foram renegociados aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Na Bolsa, o ticker BHIA3 identifica as ações ordinárias do Grupo Casas Bahia. A própria companhia disponibiliza em sua página de Relações com Investidores o histórico de cotações e informações sobre o desempenho do papel.

